A Verde Asset zerou sua posição em real ao longo de maio, movimento que atribui à volta do chamado “excepcionalismo americano” e ao fortalecimento do dólar dele decorrente. A informação consta da carta mensal da casa, divulgada na quarta-feira (10).
A gestora de Luis Stuhlberger destacou que o tema da guerra no Oriente Médio perdeu importância para os mercados ao longo do mês, enquanto a inteligência artificial voltou a ganhar proeminência e impulsionou os ativos ligados à cadeia de semicondutores.
A resiliência da economia americana, a precificação ainda tímida de altas de juros pelo Federal Reserve e a pujança do ecossistema de IA reforçam essa lógica. “Temos visto algum fortalecimento do Dólar como principal consequência macro dessa lógica. Zeramos as alocações em Real por conta de preocupação com isso, embora tenhamos mantido as posições em metais preciosos”, escreve a gestora.
É essa mesma dinâmica que, na leitura da Verde, explica a reversão dos fluxos no mercado brasileiro. O Ibovespa caiu 7,2% em maio e o mercado de juros passou por reprecificação relevante, retirando o ciclo de cortes da curva e passando a embutir altas nos próximos meses.
A gestora considera o movimento excessivo. “Parece um certo exagero, mas a constante pressão dos pacotes parafiscais que o governo anuncia, com óbvio intuito eleitoral, torna a vida do Banco Central muito difícil, numa economia com desemprego nas mínimas”, afirma. A casa segue sem alocações em juros, ainda que aponte que os níveis do juro real chamam atenção, e diz enxergar oportunidades de comprar mais convexidade na bolsa.
O diagnóstico ecoa o de outras gestoras independentes, que em suas cartas de maio também apontaram a reprecificação do ciclo de cortes, a pressão fiscal no calendário eleitoral e o dólar mais forte como principais riscos para os ativos locais.
No mês, o fundo Verde rendeu 0,33%, ante 1,07% do CDI. No ano, acumula 7,76%, contra 5,66% do benchmark. Os ganhos vieram da renda variável global e dos livros de crédito, enquanto as perdas se concentraram nas ações locais, no ouro e na proteção de crédito da Arábia Saudita.
No posicionamento atual, o fundo mantém exposição em renda variável no Brasil e no exterior e não carrega posições direcionais na renda fixa local. Nos Estados Unidos, trocou inflação implícita por maior posição aplicada em juro real. Em moedas, além de zerar o real, segue alocado em ouro e ampliou pontualmente a prata. A casa mantém a proteção de crédito da Arábia Saudita, zerou posições em petróleo via opções e preservou a alocação de crédito local.
Fonte: InfoMoney


