Ações, rendimentos de títulos e bitcoin registravam alta nesta manhã de quarta-feira diante da vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais americanas.
Antes da abertura dos mercados americanos, o futuro do S&P 500 e do Dow Jones avançavam mais de 2%. Ações de bancos disparavam.
O dólar registrou seu maior ganho em relação às principais moedas desde 2020; os títulos do Tesouro caíram; e o bicoin disparou para nível recorde. A moeda digital subiu quase 9%, superando a marca de US$ 75 mil. Trump disse que quer fazer dos EUA a “capital criptográfica do planeta” e prometeu criar uma “reserva estratégica de bitcoin”.
As ações da Trump Media & Technology, conhecida como DJT, dispararam – depois de superarem 50% de alta, eram negociadas na casa de 30% de aumento.
As bolsas asiáticas fecharam sem rumo comum enquanto os mercados europeus tinham valorização.
“Se você manteve o ‘Trump trade’ nas últimas seis semanas, foi excelente”, disse Ed Al-Hussainy, um estrategista de taxas na Columbia Threadneedle Investment. “A questão é que essas corridas vencedoras não duram para sempre e este é um bom momento para obter lucros.”
Embora a mensagem dos investidores seja amplamente positiva, há também um severo aviso nas oscilações do mercado.
O aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro sublinha as preocupações de que as políticas de Trump irão aumentar um défice orçamental já inchado e reacender uma espiral inflacionária que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) estava finalmente controlando.
A chamada inflação implícita de 10 anos, um indicador de mercado para onde a inflação de longo prazo está indo, subiu para seus níveis mais altos desde abril. No jargão de Wall Street, estes são os vigilantes de títulos exercendo pressão sobre os líderes em Washington para manter os gastos sob controle.
Por volta de 8h20 (horário de Brasília), o futuro do Dow Jones saltava 2,89%; o do S&P 500 tinha alta de 2,24%; e o do Nasdaq subia 1,65%. No mesmo horário, entre os principais bancos em Wall Street, nos negócios do pré-mercado, as ações do Goldman Sachs exibiam alta 7,79%; as do J.P. Morgan avançavam 7,23%; as do Bank of America ganhavam 9,12%; as do Morgan Stanley subiam 7,26%; as do Citigroup tinham alta de 8,32%; e as do Wells Fargo registravam ganho de 8,87%.
As ações da Tesla avançavam mais de 10% – Elon Musk, dono da empresa, deu dezenas de milhões de dólares para um super PAC pró-Trump e surgiu como um dos apoiadores mais vocais do republicano.
A vitória de Trump promete uma mistura imprevisível de políticas. Cortes de impostos e reversões regulatórias podem impulsionar os lucros corporativos, mas muitos economistas disseram que tarifas mais altas e uma fiscalização mais rigorosa da imigração sob Trump podem desacelerar o crescimento econômico e aumentar os preços ao consumidor.
Um foco dos investidores tem sido a perspectiva para o déficit orçamentário federal. Nas semanas que antecederam a eleição, uma liquidação de títulos do Tesouro dos EUA inicialmente estimulada por fortes dados econômicos ganhou impulso extra, pois uma vitória de Trump parecia mais provável. Muitos investidores acreditam que as políticas pesadas de corte de impostos de Trump aumentariam mais o déficit do que a agenda de Harris, embora as necessidades de empréstimos do governo possam aumentar independentemente do resultado da eleição. A ameaça de uma oferta maior de títulos do Tesouro ajudou a derrubar os preços dos títulos, elevando o rendimento da nota de referência de 10 anos acima de 4,3% nos últimos dias pela primeira vez desde o início de julho.
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Fonte: Valor Econômico
