O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira a jornalistas que acredita que a guerra com o Irã “vai terminar muito em breve” e que as forças americanas “têm quantidades enormes de munição em todo o mundo”. A declaração foi dada em um momento no qual os países enfrentam impasses sobre a administração do Estreito de Ormuz e após um memorando de entendimento assinado no mês passado por ambas as partes ter sido “quebrado”, com a escalada de ataques.
Mais cedo nesta quinta-feira, a agência semioficial iraniana Fars informou que uma comissão do Parlamento iraniano está analisando um projeto preliminar de lei que proibiria navios dos EUA, de Israel e de outros países considerados “hostis” de transitar por Ormuz.
O projeto, segundo uma fonte parlamentar ouvida pela agência, prevê multas de até 20% do valor da carga das embarcações que descumprirem as restrições propostas. Além disso, a matéria diz que o texto estaria sendo analisado por especialistas, e o Parlamento do regime teocrático teria convidado técnicos a apresentar recomendações antes que o projeto fosse finalizado.
Na quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as regiões geográficas de uma rota marítima pelo estreito foram acordadas entre Irã e Omã e que um comunicado conjunto está sendo finalizado, desde que não haja “interferência de terceiros”.
Baghaei acrescentou na ocasião, porém, que tal acordo entre Teerã e Mascate, por si só, não garantiria a segurança nessa via estratégica navegável. Nenhum detalhe foi compartilhado até o momento e não está claro ainda se os Estados Unidos fizeram parte do que foi acordado.
Um pouco depois das falas do porta-voz, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou à agência de notícias oficial iraniana Irna que “uma parte significativa dessa nova rota está localizada em águas territoriais iranianas, e uma parte dela está em águas territoriais omanitas”.
“O projeto foi concebido de forma a permitir a passagem de navios comerciais pelas águas territoriais iranianas, tanto na ida quanto na volta”, prosseguiu ele.
O vice-chanceler ainda afirmou que as negociações com Omã “alcançaram entendimentos fundamentais” sobre questões como o mapa das rotas de entrada e saída do tráfego marítimo. “Este progresso está prestes a ser finalizado”.
Na terça-feira, em entrevista ao programa @Night, da Fox News, o presidente Trump chegou afirmar que as negociações dos Estados Unidos com o Irã sobre Ormuz avançaram significativamente e voltou a prever uma solução próxima para o impasse no estreito, que é considerado o principal corredor marítimo para o transporte global de petróleo e gás natural.
“Foi uma negociação que durou o dia inteiro. Tivemos conversas muito boas”, disse Trump na ocasião. Segundo ele, Ormuz “será reaberto muito em breve”. O presidente americano, porém, voltou a fazer ameaças ao regime iraniano: “Se eles recuarem novamente, serão duramente atingidos.”
Além disso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, declarou que as negociações estavam em um estágio “muito avançado” e que uma minuta de acordo já circulava entre as partes.
Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, no fim de fevereiro, Trump anunciou diversas vezes avanços nas negociações, seguidos por desmentidos de Teerã ou pelo fracasso das tratativas. O memorando de entendimento firmado em junho, que previa um cessar-fogo e a reabertura da hidrovia entrou em colapso poucas semanas depois, quando Teerã atingiu embarcações mercantis na via marítima, e forças americanas lançaram sucessivas ofensivas como retaliação ao regime teocrático.
A partir de então, o bloqueio imposto pelo Irã a Ormuz voltou a provocar forte impacto nos mercados globais de energia e aumentou a pressão sobre o presidente Donald Trump para encerrar o conflito, principalmente, em meio à escalada de preço dos combustíveis no território americano e à proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA, que podem redefinir o controle dos republicanos no Congresso.
Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que o número de americanos que esperam que o Oriente Médio mergulhe no caos é três vezes maior do que o daqueles que acreditam que a guerra trará mais estabilidade. O levantamento, realizado ao longo de seis dias, foi concluído na segunda-feira, quando o presidente republicano Donald Trump voltou a recuar de suas ameaças de lançar “ataques maciços” contra Teerã.
Nesse contexto, cerca de 58% dos entrevistados também disseram esperar uma piora nos preços da gasolina, enquanto apenas 15% esperam uma melhora.
Fonte: Valor Econômico


