Investing.com – Estrategistas do Bank of America estão orientando clientes a reduzir a exposição a ativos de risco e migrar para posições defensivas, após um indicador-chave de sentimento emitir seu primeiro sinal de venda desde 2021.
Michael Hartnett e sua equipe afirmaram que mantêm uma postura de “recuar e rotacionar, não recarregar” para o verão no hemisfério norte, recomendando que os investidores se afastem de ativos de risco e se posicionem em defensivos, como bens de consumo básico, ativos de duration como FIIs, small caps, biotecnologia e o dólar americano.
Os estrategistas enquadraram a mudança como uma proteção contra o aperto contínuo das condições financeiras, argumentando que essas áreas têm menor exposição cíclica do que bancos, industriais e semicondutores a uma possível frustração do consenso otimista de que não haverá “nenhum pouso macro, nenhum aumento do Fed, nenhum corte de capex em IA, nenhuma varredura democrata nas eleições de meio de mandato”.
Ao comentar sobre o cenário macroeconômico, Hartnett destacou o forte otimismo com o LPA, com as estimativas para os próximos 12 meses subindo 33%, impulsionadas por uma restituição tarifária de US$ 35 bilhões nos últimos três meses, que reverteu um impacto negativo de US$ 75 bilhões nos lucros provocado pelas tarifas entre maio e julho do ano passado.
Ele também ressaltou a correlação positiva entre folha de pagamentos e lucros como razão pela qual os mercados de títulos estão reagindo mais aos dados de emprego do que à inflação neste ano, uma vez que os ganhos de produtividade impulsionados pela IA ainda não se traduziram em perdas generalizadas de empregos.
O Indicador Bull & Bear do Bank of America subiu de 9,4 para 9,7, seu nível mais alto desde 2021, levando o indicador para a zona de “venda”. Hartnett atribuiu a alta às fortes entradas em high yield, ao estreitamento dos spreads globais de high yield e AT1, e à melhora na amplitude dos índices de ações globais.
Em termos de estratégia, os analistas mantiveram sua alocação de ativos em “comprado em ações, vendido em títulos”, argumentando que as autoridades enxergam o mercado de ações como “grande demais para falir”, dada a dependência da economia no efeito riqueza e no boom de capex em data centers de IA. A equipe afirmou que booms e bolhas costumam terminar quando a alta dos rendimentos dos títulos e a queda do dólar forçam uma reversão na política fiscal, com a dinâmica de “juros em alta, bancos em queda” servindo como um sinal de alerta antecipado a ser monitorado.
Os fluxos foram amplamente positivos em todas as classes de ativos na semana encerrada em 05.08. Os fundos do mercado monetário captaram US$ 53,7 bilhões, ações US$ 32,9 bilhões, títulos US$ 23,1 bilhões, ouro US$ 900 milhões e criptomoedas US$ 600 milhões. As ações americanas atraíram US$ 9,6 bilhões, com o fluxo anualizado atingindo um recorde de US$ 652 bilhões, enquanto as ações de mercados emergentes somaram US$ 8,6 bilhões, apesar de um fluxo de saída anualizado de US$ 55 bilhões, o pior desde 2015.
Os fundos de tecnologia registraram sua primeira saída em seis semanas, de US$ 700 milhões, embora as entradas ainda estejam anualizando em um recorde de US$ 217 bilhões.
Em termos regionais, o Japão registrou a nona semana consecutiva de entradas, com US$ 2,6 bilhões, e a Europa teve sua primeira entrada em três semanas, com US$ 55 milhões.
Fonte: Investing.com


