A Raízen avançou na negociação com os credores para aprovar o plano de recuperação extrajudicial. Após a contraposta feita pelos credores, a empresa tenta fechar um acordo para reestruturar a dívida de R$ 65 bilhões nesta semana, que não deve prever aporte adicional pelos acionistas da companhia, Shell e Cosan, além dos R$ 4 bilhões já anunciados, apurou o Pipeline.
A Shell tinha comunicado a intenção de fazer um aporte de R$ 3,5 bilhões e Rubens Ometto, maior acionista da Cosan, colocaria mais R$ 500 milhões. Os credores tinham sinalizado inicialmente que a companhia precisaria de um aporte de R$ 8 bilhões para reduzir a alavancagem de 5,1 vezes em setembro.
“A empresa está resistente em fazer um aporte adicional ao já anunciado, mas esse não é o principal entrave”, disse uma fonte próxima à negociação. Para reduzir o endividamento, a Raízen está negociando com bondholders, bancos e credores de renda fixa local uma proposta para converter 45% da dívida em equity, com alongamento do prazo do saldo remanescente em até oito anos.
Esse seria um ponto com maior consenso, mas ainda há impasse sobre a governança da companhia, a começar pela composição do novo board. Os credores exigiam a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho e queriam ter maioria dos assentos, já que, após a conversão, devem ficar com mais de 80% das ações.
O acordo em discussão agora deve dar a maioria dos assentos do conselho para os credores. Ainda precisam ser finalizados os termos dos novos papéis de dívida que serão emitidos, como taxa e garantias. A discussão sobre o plano está mais avançada com bancos e parte dos bondholders. A venda da operação na Argentina, que pode levantar até US$ 1,5 bilhão, também está na mesa.
Os credores entendem que a maior parte dos recursos deve ficar com a companhia, mas há uma discussão por parte de alguns credores se uma fatia desse dinheiro poderia servir para pagar dívidas. A transação mais avançada é com o grupo Mercuria.
A Raízen entrou com pedido de recuperação em março e tem até o começo de junho para alcançar um acordo com mais de 50% dos credores para aprovar o plano. Procuradas, Raízen, Cosan e Shell não comentaram o assunto.
Fonte: Pipeline


