O empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, poderá ficar de fora do aporte na Raízen , que está desde abril em recuperação extrajudicial, para deixar a presidência do conselho de administração da fabricante de açúcar e etanol, apurou o Valor com fontes que falaram na condição de anonimato. O empresário se comprometeu com uma injeção de capital de R$ 500 milhões na companhia por meio de sua holding Aguassanta, mas teria colocado como condicionante a manutenção da cadeira de presidente do colegiado, disseram fontes.
Essa discussão ainda está em curso, mas na visão dos credores é de que é desproporcional a permanência de Ometto no cargo, visto que o controle da empresa passará aos credores e que os R$ 500 milhões será um valor pequeno frente à conversão das dívidas que será realizada. Por isso devem aceitar que o empresário deixe de fazer o aporte e que deixe, com isso, o cargo na Raízen .
Também gera incômodo a remuneração paga ao presidente do conselho, que seria na casa de R$ 60 milhões ao ano. Não há discordância, no entanto, de Ometto seguir no conselho, mas não na principal cadeira, visto que existe o poder decisório em caso de empate em votações no colegiado.
Os assessores contratados pelos credores, bancários, dos detentores de dívidas externas (“bondholders”) e dos títulos de dívida local se reuniram com os assessores contratados pela companhia na semana passada, com o intuito de se chegar a um plano mais próximo ao consenso dado que o prazo é curto e a Raízen precisa apresentar um plano à Justiça até meados de junho.
O consenso mais próximo até aqui se trata da conversão de 45% da dívida da companhia, de R$ 65 bilhões, em participação acionária. Também está sendo visto que o aporte da Shell, acionista da Raízen ao lado da Cosan, dificilmente passará dos R$ 3,5 bilhões, visto que a empresa tem se mostrado firme nessa decisão. A Cosan, que controla a companhia ao lado da Shell, já tinha informado que não participará do aumento de capital. Se a companhia também ficar sem a injeção de capital por Ometto, o aporte se limitará aos recursos da Shell.
Nas reuniões da semana passada, os bondholders também pediram um aumento da taxa para o alongamento da dívida remanescente, a qual a companhia teria proposto ficar entre 7% e 7,5%. O pedido não teve aderência entre os bancos credores, segundo fontes. Essa questão, assim, ainda segue em aberto.
A Raízen deverá passar os pontos em reunião de seu conselho para apresentar uma proposta para tentar fechar o plano já nos próximos dias, disseram interlocutores.
Procurada, a Raízen não comentou. Ometto também preferiu não se pronunciar.
Fonte: Valor Econômico