Por Rafael Vazquez — De São Paulo
28/07/2023 05h01 Atualizado há 5 horas
Uma comitiva oficial da Arábia Saudita chega ao Brasil neste domingo, 30. Liderada pelo ministro de investimentos, Khalid Al-Falih, o grupo, formado por aproximadamente 100 pessoas visita o país com o objetivo de ampliar os negócios entre empresas privadas dos dois países. A viagem termina oficialmente na quarta-feira, 2 de agosto. Será a maior delegação saudita em uma visita ao país.
O grupo contará com representantes de companhias públicas e privadas do país, como a estatal petrolífera Aramco e o fundo soberano estatal Salic, que já fez aportes recentes de bilhões em frigoríficos brasileiros como Minerva e BRF. A agenda da visita será toda em São Paulo e inclui um evento na Fiesp na segunda-feira, 31.
Segundo André Skaf, sócio da consultoria de assessoria empresarial Sete Partners, que vai promover encontros entre empresários brasileiros e representantes sauditas, existe alta expectativa de que a visita renda assinaturas de contratos e parcerias em diversos setores.
“O Brasil começa a ser um país de importância para a Arábia Saudita. Já temos uma relação de longa data na exportação de commodities alimentícias como frango, carne e açúcar, mas eles agora estão enxergando no Brasil uma capacidade industrial muito interessante em diversos setores que podem contribuir com esse novo momento da Arábia Saudita”, afirma.
O empresário acredita que o Brasil tende a se beneficiar com o projeto Visão 2030, pelo qual o governo saudita vem promovendo uma abertura estratégica da sua economia para reduzir progressivamente a dependência gerada pela produção e exportação de petróleo.
“A Arábia Saudita está passando por um momento pujante e de modernização que abre oportunidade para na área de saúde, infraestrutura e construção civil, turismo e também para o agronegócio brasileiro, que já possui uma relação mais próxima”, comenta.
Segundo ele, os sauditas têm tanto o interesse de investir em projetos dentro do Brasil quanto facilitar a internacionalização de empresas brasileiras no Oriente Médio. “Já temos a previsão de que a visita renderá ao menos 15 assinaturas de memorandos de entendimentos de empresas brasileiras com companhias sauditas e também entre empresas brasileiros e o Ministério de Investimento deles”, conta. “Essa visita pode destravar uma quantidade grande investimentos. As expectativas estão altas dos dois lados”.
No ano passado, o comércio bilateral entre os dois países movimentou US$ 608 bilhões, com superávit de US$ 62,3 bilhões para o Brasil, principalmente pela exportação de alimentos já que a Arábia Saudita, que possui bioma desértico, importa quase 80% dos alimentos que a sua população de 35 milhões de pessoas consome.
Em relação a sucessivas polêmicas que envolvem o regime saudita atualmente conduzido pelo príncipe-herdeiro Mohammad bin Salman, que vai desde o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi dentro da Embaixada do país na Turquia, em 2018, e joias presenteadas ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e sua esposa, Skaf acredita que são questões que não vão interferir na agenda da visita.
Fonte: Valor Econômico
