Funcionários de postos de saúde dizem que orientação é aplicar dose apenas em profissionais da saúde e seguir calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações para crianças e adolescentes
Por Rafael Vazquez, Valor — São Paulo
28/09/2022 14h45 Atualizado há 18 horas
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Vacina contra meningite: especialista demonstra preocupação com a queda da cobertura vacinal Unsplash
Diante do surto de meningite do tipo C no bairro da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) chegou a informar, na terça-feira (27), que todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade estavam prontas para vacinar as pessoas contra a doença.
Contudo, o Valor visitou nesta quarta-feira (28) três postos de saúde na Zona Leste fora do bairro onde foi identificado o surto, e os funcionários esclareceram que foram orientados a aplicar a vacina apenas em profissionais da saúde e seguir normalmente o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações para crianças e adolescentes.
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde
Questionada, a SMS, via assessoria de imprensa, disse que atualizou a orientação e enviou comunicado confirmando que somente profissionais de saúde serão vacinadas nas UBSs fora do epicentro do surto atual.
Esclareceu ainda que a intensificação da vacinação contra a meningite para pessoas de todas as idades está sendo feita na área de abrangência de quatro (UBSs): a UBS Formosa II, a Assistência Médica Ambulatorial (AMA)/UBS Integrada Guarani, a UBS Jardim Iva e a UBS Comendador José Gonzalez. Nesses locais, crianças e adultos devem buscar a vacina apresentando comprovante de residência.
Para quem não mora, mas trabalha nessa região específica, é necessário levar algum tipo de comprovante trabalhista como crachá, holerite, carteira de trabalho atualizada ou declaração com nome da empresa, endereço e carimbo.
Tanto a Secretaria da Saúde, quanto os médicos reforçam que não há motivo para alarmismo e que é improvável que o surto de espalhe para outras regiões.
Na nota enviada ao Valor, a secretaria informou que, neste ano, já foram identificados outros dois surtos localizados de meningite meningocócica na capital. O primeiro entre os meses de janeiro e março, no Jardim São Luís, onde ocorreram três casos, sendo que duas pessoas vieram a óbito. No segundo, entre os meses de maio e junho, na região do Pari, foram dois casos, com um óbito.
A SMS classifica como “surto” da doença meningocócica” quando há ocorrência de três ou mais casos do mesmo tipo em um período de 90 dias na mesma localidade. “Na região do Pari, embora tenham ocorrido menos de três casos, foi classificado como surto em razão do número de casos relativo ao tamanho da população local”, explicou.
Opinião do especialista
O médico infectologista Marcelo Daher comenta que o procedimento adotado na Vila Formosa, onde já foram vacinadas na região 7.400 pessoas entre crianças e adultos nos últimos 15 dias, é o normal. Segundo o especialista, embora as pessoas fora da região do surto possam buscar a vacina na rede privada, o procedimento padrão é reforçar a vacinação contra meningite em todas as pessoas no epicentro para isolar o vírus rapidamente.
“A comunidade médica recomenda um reforço da vacina a cada cinco anos fazendo a última dose aos 16 anos. Para outras pessoas, como profissionais da saúde, quem trabalha em laboratórios ou grupos de risco, mantem-se a vacinação a cada 5 anos. Para outros adultos que quiserem tomar, não é proibido. Pode se vacinar, que vai ter uma proteção a mais desde que seja a cada cinco anos”, explica Daher.
População não precisa se alarmar, diz infectologista
O infectologista também reforça o coro de que a população não precisa se alarmar. “O risco de se espalhar como já aconteceu no Brasil na década de 1970 não é grande por causa da vacinação, bloqueios, medicamentos que passaram a fazer parte dos cuidados que adotamos e naquele tempo não tinham”, disse ele, ressaltando que é normal que apareçam casos esporádicos.
Segundo o Ministério da Saúde, a meningite é considerada uma doença endêmica no Brasil, ou seja, há casos frequentes. Por outro lado, Daher demonstra preocupação com a queda da cobertura vacinal contra a meningite.
Circulação da bactéria
Segundo dados do DataSUS, do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal de meningite meningocócica C está, atualmente, em 42,5% na capital paulista e 52% em todo o território nacional. Em 2015, ambas estavam em 98%.
“Com a cobertura baixa, a bactéria circula mais livremente, e as crianças, sobretudo, estão vulneráveis. Talvez, esses casos que estão começando a aparecer sejam reflexo disso”, diz o infectologista.
Fonte: Valor Econômico