Uma reunião de conselheiros de segurança nacional com foco no projeto de paz da Ucrânia terminou sem um caminho claro antes da chegada do presidente Volodymyr Zelensky ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na terça-feira (16). O encontro global ocorre entre os dias 15 e 19 de janeiro.
A Ucrânia esperava que a reunião, realizada antes do início oficial do Fórum Econômico Mundial na cidade montanhosa suíça, ajudasse a criar apoio para seu plano de paz de 10 pontos entre os países do Sul Global, muitos dos quais têm relutado em apoiar Kiev desde a invasão da Rússia há quase dois anos.
O Ministro das Relações Exteriores da Suíça, Ignazio Cassis, que co-presidiu a reunião, disse que o encontro esclareceu pontos que serão discutidos em algum momento, mas que nem a Ucrânia nem a Rússia – que não foi convidada – estão preparadas para fazer concessões territoriais. Uma reunião a nível de liderança que a Ucrânia deseja realizar ainda não foi agendada.
Em uma coletiva de imprensa, o assessor presidencial Andriy Yermak disse que a Ucrânia não foi pressionada pelos parceiros a discutir a cessão de território à Rússia, quase dois anos após a invasão. O retorno às fronteiras de 1991 continua sendo o objetivo estratégico da Ucrânia, disse o secretário de Defesa, Rustem Umerov. Isso incluiria a Crimeia, a península ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.
Em geral, a Ucrânia pretende aproveitar o encontro anual de líderes políticos e empresariais em Davos nesta semana para reacender o apoio e a atenção para sua luta contra a invasão da Rússia. Cerca de 83 delegações – representantes de países e organizações internacionais – estiveram presentes no domingo para a quarta reunião de uma série que remonta a junho. Isso incluiu 18 parceiros da Ásia e 12 da África, de acordo com um relatório da União Europeia. A China, um importante aliado da Rússia, não compareceu.
Cassis disse que a reunião de hoje foi provavelmente a última no formato atual, deixando as próximas etapas pouco claras. Algumas nações acreditam que a reunião de líderes esperada pela Ucrânia seria prematura, enquanto outras querem envolver imediatamente a Rússia no processo.
A principal condição da fórmula de paz de Zelensky é a retirada total das tropas russas, uma exigência que o Kremlin rejeitou. A Ucrânia descartou conversas diretas com o presidente russo Vladimir Putin, que denunciou as reuniões – realizadas anteriormente na Dinamarca, Arábia Saudita e Malta – como ilegítimas.
Fonte: Valor Econômico

