A pressão para que o presidente dos EUA, Joe Biden, desista de concorrer à eleição voltou a se intensificar ontem. E, em um desafio adicional, ele contraiu covid-19 e teve de cancelar um compromisso de campanha em Las Vegas. Segundo a Casa Branca, Biden foi posto em isolamento — que deve causar a suspensão de eventos eleitorais.
“A Casa Branca fornecerá atualizações regulares sobre o status do presidente enquanto ele continua a desempenhar todas as funções do cargo enquanto está isolado”, disse a porta-voz Karine Jean-Pierre em uma declaração à imprensa. Ela acrescentou que Biden apresentou sintomas respiratórios leves, como coriza e tosse.
Antes do anúncio, a média das pesquisas em âmbito nacional compilada pelo “New York Times” — as primeiras divulgadas após o atentado de sábado contra o ex-presidente Donald Trump — apontou o empate técnico com a vantagem numérica do republicano sobre Biden, de 47% a 45%. A média do agregador FiveThirtyEight, de Natan Silver, mostrou uma margem parecida, de 42,3% a 40,3%, em favor de Trump. Esses números ainda trazem pouca variação em relação aos de antes do atentado.
Mas a pesquisa Associated Press/Centro Norc mostrou também ontem que apenas 3 em cada 10 democratas estão “muito ou extremamente confiantes” de que Biden tem capacidade mental para governar com eficácia. E um estudo da Ipsos/Reuters, refletindo o ataque a Trump, mostrou que 80% dos americanos concorda com a afirmação de que “os EUA estão saindo do controle”.
Ao mesmo tempo, líderes do Partido Democrata adiaram de amanhã para a primeira semana de agosto o início de uma chamada virtual nominal — passo prévio para a indicação de Biden como candidato na convenção partidária de agosto —, diante do descontentamento de eleitores e autoridades democratas com a resistência de Biden em desistir da corrida à Casa Branca.
O desastroso desempenho de Biden, de 81 anos, no debate do mês passado contra seu rival republicano, Donald Trump, levantou questões sobre a saúde física e mental do presidente. Biden, porém, se mantém irredutível na disposição de seguir candidato.
“Embora a escolha de se retirar da campanha seja apenas do presidente Biden, acredito que essa seja a hora de ele passar esse bastão”, disse ontem o deputado Adam Schiff, favorito na Califórnia para conquistar uma vaga no Senado e o mais destacado legislador democrata a pedir a retirada de Biden.
Até agora, 19 democratas da Câmara e o senador Peter Welch disseram que Biden deveria se afastar. Entre as especulações sobre um eventual substituto, o nome mais forte nas pesquisas é o da vice-presidente Kamala Harris — com menos rejeição do que Biden.
Em uma entrevista divulgada ontem, porém, o presidente afirmou que nenhum de seus médicos disse que ele tem algum problema de saúde sério. “Se eu tivesse alguma condição médica que surgisse, se alguém, se os médicos viessem até mim e dissessem, você tem esse ou aquele problema, eu reavaliaria [a permanência a disputa]”, disse Biden, de acordo com um breve trecho divulgado pela rede “BET News” e reproduzido por “The New York Times”.
Uma outra pesquisa, da empresa BlueLabs, financiada pelo Partido Democrata e divulgada ontem pela “CNN”, mostra Biden perdendo terreno para Trump em 14 Estados-chave, incluindo os cinco que Biden virou contra Trump em 2020. O principal assessor de pesquisas de Trump, Tony Fabrizio, disse ter números parecidos com os da BlueLabs, assegurando que a votação do republicano nestes Estados “continuam a se expandir”.E os democratas estão cada vez mais receosos com a possibilidade de perder votos em Estados que já consideravam consolidados, como Minnesota, New Hampshire, Novo México e Virgínia — onde Biden venceu confortavelmente em 2020 —, segundo o “NYT”.
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Fonte: Valor Econômico


