Por Agências Internacionais — De Pequim
10/05/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
As duas maiores cidades chinesas reforçaram ontem as restrições contra a covid-19, ampliando a ruptura que essa estratégia rigorosa de combate ao vírus vem causando nas trocas comerciais da China com o resto do mundo.
Os lockdowns e a queda na demanda externa reduziram o crescimento das exportações chinesas, em termos de dólar, para 3,7% ao ano em abril, de um crescimento de 15,7% de março, segundo dados oficiais divulgados ontem. Refletindo a fraca demanda chinesa, as importações do país aumentaram 0,7%, depois de uma pequena queda de 0,1% registrada em março.
Alguns economistas dizem que os dados oficiais subestimam a extensão da desaceleração do comércio da China. Ajustando a inflação e os efeitos sazonais, a consultoria Capital Economics estima que os volumes de exportação da China caíram 3,3% em abril, enquanto as importações recuaram 4,9%.
Em Xangai, em sua sexta semana de lockdown, autoridades lançaram um novo esforço para acabar com as infecções fora das zonas de quarentena até o fim do mês. Não está claro o que motivou isso, uma vez que o número de novos casos na cidade continua a cair. Ontem, Xangai reportou 3.947 casos, quase todos assintomáticos, e 11 mortes. As autoridades vinham suspendendo as regras de isolamento dos 25 milhões de habitantes da cidade, mas as novas ordens estão fazendo as condições voltarem ao estágio inicial do surto.
Embora não tenha havido um anúncio oficial, moradores de quatro dos 16 distritos de Xangai receberam avisos no fim de semana de que não teriam permissão para sair de casa ou receber entregas de produtos não essenciais. Essas medidas estão previstas para durar até amanhã, mas poderão ser prorrogadas a depender dos resultados dos testes em massa.
Enquanto isso, nas restrições mais severas impostas em Pequim até agora, uma área no sudoeste da capital proibiu ontem os moradores de deixar seus bairros e ordenou que todas as atividades não relacionadas à prevenção do vírus fossem suspensas. Em outros distritos mais afetados de Pequim, os moradores foram instruídos a trabalhar em casa, alguns restaurantes e transporte público foram fechados, e mais estradas, complexos e parques foram bloqueados.
Fonte: Valor Econômico
