Após cair 0,1% em abril ante março, a economia brasileira subiu 0,7% em maio ante abril, na leitura do Monitor do PIB, indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) que apura mensalmente ritmo da atividade econômica. Na comparação com maio do ano passado, o indicador mostra que a atividade subiu 1,2% em maio desse ano e, no trimestre finalizado em maio, a economia cresceu 1,9% ante mesmo trimestre de 2025.
O indicador foi divulgado nesta segunda-feira (20) pela fundação. Para Claudio Considera, economista da FGV e coordenador do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV/Ibre), mesmo com saldo positivo na margem é possível notar sinais de arrefecimento na atividade econômica no quinto mês do ano.
Entre indícios citados por ele está comportamento de serviços, que representa quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB), pelo lado da oferta. A economia de serviços subiu 2% no trimestre finalizado em maio, ante mesmo trimestre do ano passado, a mais fraca taxa, nessa comparação trimestral, desde trimestre finalizado em novembro do ano passado (1,6%).
Serviços mostrou ainda alta de apenas 0,4% em maio ante abril, com expansão de 1% em maio ante maio do ano passado, a menos intensa elevação desde agosto do ano passado (0,9%), nesse período comparativo mês ante mesmo mês de ano anterior.
“Notamos um arrefecimento”, afirmou o economista.
Pelo lado da demanda, Considera citou ainda a trajetória de consumo das famílias. Em maio na comparação com maio do ano passado, o consumo das famílias caiu 0,1%, pior resultado desde abril de 2025.
Em relação a abril, o consumo em maio de 2026 cresceu apenas 0,4%. Embora tenha subido 3,3%, no trimestre finalizado em maio, em comparação com o mesmo trimestre de 2025.
Um outro aspecto mencionado pelo especialista é a contribuição do setor externo, para compor o desempenho do PIB. Ele afirmou que o comércio exterior brasileiro tem passado por algumas volatilidades, devido a questões ainda não resolvidas sobre o tarifaço dos Estados Unidos.
Há meses o governo de Donald Trump tem anunciado tarifas de dois dígitos para entrada de importações em solo americano de alguns países, entre eles o Brasil. Esse foi um dos fatores que fizeram com que, em maio, as exportações operassem abaixo das importações, disse. De abril para maio as exportações caíram 6,2% e as importações recuaram 1,9%. Em maio ante maio do ano passado, as exportações diminuíram 2,7% enquanto as importações subiram 2,3%. E, no trimestre finalizado em maio, as exportações subiram 4,3% e as importações avançaram 8,9%.
Sobre novas ameaças de tarifas, do governo americano às exportações brasileiras, com destino àquele país, Considera ponderou que não há como saber, no momento, quais efeitos terão, nos desempenhos de comércio exterior, dos terceiro e quarto trimestres. “Ainda há muita incerteza” nas negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema, afirmou.
O economista ponderou que pelo menos até o momento o governo brasileiro tem conseguido lidar com efeitos dos tarifaços na economia do país.
Considera comentou ainda que o Monitor do PIB, nos 12 meses encerrados em maio, mostra expansão de 1,7%. O economista disse que isso sinaliza que a atividade estaria caminhando para alta de cerca de 2%, em 2026. Ele disse acreditar que o PIB possa crescer em torno de 2% este ano, “a menos que algum tarifaço adicional sacrifique muito para as nossas exportações”.
Fonte: Valor Econômico

