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As condições do mercado de trabalho nos Estados Unidos devem definir a magnitude do próximo corte na taxa de juros de referência do país pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em novembro – e uma nova redução agressiva nos juros, de 0,50 ponto percentual, pode ocorrer caso a tendência de enfraquecimento no emprego continue.
Até a próxima reunião do comitê de política monetária do Fed, em 4 de novembro, serão divulgados dois relatórios de emprego pelo Departamento do Trabalho, o chamado “payroll”. Os dados devem mostrar que o cenário continua desafiador para o emprego no país, disse ao Valor a economista Veronica Clark, do Citi.
“A tendência de enfraquecimento do mercado de trabalho será visível” nos dois relatórios, o que será difícil de ignorar mesmo para os ‘hawks’ [propensos ao aperto monetário], diz. De acordo com ela, o emprego fraco pode levar as taxas de juros de volta ao nível neutro, aquele que não estimula nem contrai a economia, antes do previsto pelos próprios dirigentes do Fed.
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Na avaliação de Clark, se o banco central americano esperar parar ver grandes sinais de demissões “será muito tarde”. Nesse sentido, ela diz esperar uma recessão na economia dos EUA com base nos dados fracos do mercado de trabalho, com desaceleração da contratração e pessoas desempregadas por mais tempo, apesar da surpresa com a resiliência do consumo.
O economista-chefe do banco Julius Baer, David Kohl, diz que projeções de inflação mais baixas e previsões de crescimento, além de uma projeção de taxa de desemprego mais alta, sugerem que novos cortes de juros estão na agenda se a economia dos EUA continuar desacelerando no ritmo moderado esperado.
“Cortes adicionais de 0,5 ponto este ano e de 1 ponto no próximo ano são considerados apropriados. Dada a ainda alta taxa de juros em relação a uma postura neutra, esperamos mais um corte de 0,50 ponto na próxima reunião em novembro”, afirma Kohl.
O Bank of America (BofA) é outra casa que também prevê cortes mais rápidos pelo Fed após o início agressivo do ciclo esta semana. Os economistas Aditya Bhave, Stephen Juneau e equipe escreveram, em relatório, que o mercado de trabalho tem levantado algumas bandeiras vermelhas, com alta na taxa de desemprego e crescimento do emprego desacelerando e sendo revisado para baixo.
“Ajustamos nossas previsões econômicas, principalmente devido a um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado”, dizem os economistas, que revisaram sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA de 2,0% para 1,6% em 2025.
As economistas Tiffany Wilding e Allison Boxer, da gestora Pimco, afirmaram em relatório que, historicamente, um corte inicial nos juros pelo Fed de 0,5 ponto normalmente precedeu ou sinalizou uma série de reduções geralmente mais acentuada, profunda ou prolongada, com o objetivo de reforçar uma economia em dificuldades.
“Não acreditamos que a economia dos EUA esteja atualmente em recessão”, afirmam as economistas da Pimco, ao citarem a resiliência dos gastos do consumidor e a aparente aceleração do investimento. No entanto, elas notam quem, à medida que as pressões inflacionárias diminuem, o Fed parece focado em garantir que o crescimento dos EUA e o mercado de trabalho permaneçam fortes.
A Pimco vê o Fed a caminho de afrouxar a política com cortes de 0,25 ponto em cada uma de suas próximas reuniões. “No entanto, o Fed continua dependente de dados. Se o mercado de trabalho se deteriorar mais rapidamente, esperamos que o Fed corte mais agressivamente”, reconhecem.
O Citi vê o Fed reduzindo seu ritmo de cortes para 0,25 ponto em cada uma das próximas reuniões depois de novembro, até a taxa chegar a 3%, mas pode haver mais antecipação, e reduções maiores nas próximas reuniões. “Por que parar em 0,5 ponto? Podemos ir mais longe”, dependendo dos dados, avalia Clark.
Por fim, o Julius Baer espera uma série de cortes de 0,25 ponto nos juros, levando a taxa para entre 3,25% e 3,5% até maio de 2025, quando o Fed deve pausar e manter os juros no resto do ano. Kohl, inclusive, destaca que a natureza antecipada dos cortes para ajustar a política para uma postura neutra aumenta a probabilidade de um pouso suave da economia.
Fonte: Valor Econômico
