O presidente da unidade do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que o corte de juros nos Estados Unidos em 0,50 ponto percentual na reunião de setembro foi a decisão certa, com maiores riscos vindo do mercado de trabalho, e que o caminho a seguir dependerá dos dados econômicos.
“Na minha opinião, cortar a taxa básica de juros em 0,50 pontos percentuais na semana passada foi a decisão certa — uma que reflete tanto o progresso substancial que fizemos na redução da inflação quanto o enfraquecimento do mercado de trabalho”, diz, em comunicado. Segundo ele, mesmo depois desse corte, a postura geral da política monetária continua restritiva.
“O equilíbrio de riscos mudou de uma inflação mais alta para o risco de um enfraquecimento ainda maior do mercado de trabalho”, afirma Kashkari, citando riscos de um desemprego mais alto, o que poderia potencialmente comprometer a obtenção do pleno emprego e o levou a apoiar o corte mais forte na reunião do Fed da semana passada.
Ele reconhece que ainda é muito cedo para declarar vitória na luta contra a inflação, mas disse que houve progresso substancial e o processo desinflacionário parece estar no caminho certo. Por outro lado, o crescimento do emprego desacelerou, assim como o crescimento dos salários, com demissões caindo para níveis pré-pandêmicos.
Kashkari diz que a economia continua a oferecer sinais mistos sobre sua força e, apesar de uma recessão nunca poder ser descartada, não há sinais de nenhuma à vista. “Nosso caminho a seguir dependerá da totalidade dos dados recebidos para a atividade econômica, o mercado de trabalho e a inflação”, afirma.
Com relação aos juros no longo prazo, Kashkari diz ter elevado levemente suas estimativas, na medida em que continua a se surpreender com a resiliência da economia, apesar das altas taxas de política monetária, uma combinação que sugere que a taxa neutra pode ter subido pelo menos temporariamente. Segundo ele, quanto mais tempo essa resiliência econômica continuar, mais ele vê indícios de que a elevação temporária da taxa neutra pode, de fato, ser mais estrutural.
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Fonte: Valor Econômico
