Por Bloomberg
20/09/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
As chances de capitulação nos mercados acionários começam a aumentar. Fundos hedge macro agora precificam um cenário mais extremo para uma onda vendedora global de ações, de acordo com estrategistas quantitativos do Morgan Stanley.
Investidores macro globais esperam elementos de deslocamento do mercado, uma vez que permanecem com posições vendidas líquidas (apostas na queda) em ações e “miram um risco tático para a taxa terminal dos EUA e para o rendimento dos Treasuries de dez anos acima de 5% e 4%, respectivamente”, disseram estrategistas do banco, como Gilbert Wong, em relatório. “Estar ‘overweight’ [acima da média do mercado] em dinheiro [‘cash’] é a melhor maneira de se proteger.”
Fundos projetam que os “valuations” das ações de Ásia/emergentes e dos EUA caiam entre 5% e 6% em relação aos níveis atuais, o que implica que o índice MSCI Emerging Market fique próximo da projeção de meta baixista de 890 pontos, e que o S&P 500 alcance nova mínima no ano, de 3.600 pontos, segundo cálculos do banco de investimentos.
A aposta em tendência baixista foi reforçada desde que os EUA anunciaram dados de inflação acima do esperado, mas essa percepção pode piorar no curto prazo, já que as posições vendidas foram cobertas em meio a quedas e a volatilidade permanece bem abaixo dos níveis vistos nos momentos de pico de medo do mercado.
Aumentos significativos das taxas de juros aplicados pelos principais bancos centrais, com exceção da China e do Japão, colocaram as economias globais à beira da recessão e os mercados acionários rumo a um “bear market” (mercado baixista). Depois de sonhar por muito tempo com um giro “dovish”, ou seja, de alívio da política monetária, investidores acordam para a sombria realidade de terem que aguentar altas contínuas dos juros em um esforço dos bancos centrais para frear a inflação.
Wong e equipe aconselham investidores a “ficarem na defensiva até que a capitulação” ocorra.
Fonte: Valor Econômico
