Por Eduardo Magossi — De São Paulo
24/07/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
O esperado início de corte na taxa Selic e a maior estabilidade política que o Brasil vive hoje fará do país um dos mercados mais atraentes globalmente nos próximos 12 a 18 meses, na avaliação do diretor de investimentos da Principal Asset Management, Todd Jablonski. Em entrevista ao Valor, o executivo afirmou que a maior clareza em relação ao ciclo de redução dos juros será o gatilho necessário para que os investidores aumentem sua exposição ao país.
“O mercado de ações brasileiro está extremamente subvalorizado, apesar dos ganhos obtidos nos últimos meses, e isso cria oportunidades”, disse. “Historicamente, as ações brasileiras apenas ficaram subvalorizadas em torno de 5% do tempo. Nos 95% restantes, elas estavam mais caras que a média”, afirma. Segundo o executivo, há uma oportunidade muito boa em ações de todos os setores. “Nos EUA, por exemplo, as ações estão mais baratas que a média em 90% do tempo e em apenas 10% elas ficam subvalorizadas.”
Para Jablonski, o risco político recente é parte da razão dos “valuations” das ações brasileiras estar barato – assim como no Chile. Agora, ele acredita que a maior estabilidade política brasileira e os efeitos das reformas previdenciária e tributária poderão dar ao país o impulso de crescimento que precisa para melhorar seus fundamentos e, dessa forma, atrair mais investidores. “Tudo isso vai elevar a capacidade de produção e dar oportunidade ao Brasil crescer entre 150 a 200 pontos-base a um ritmo mais rápido, com as empresas aumentando sua eficiência e lucratividade”, disse, completando que a atração de investidores deve aumentar a exposição ao Brasil no equivalente a dois a três pontos percentuais no índice MSCI de mercados emergentes.
O executivo também vê com bons olhos investimentos em títulos corporativos do Brasil, em papéis de empresas de alta qualidade com grau de investimento. Segundo ele, fundos com esses títulos podem render até 13%. “Neste momento, eu prefiro títulos corporativos do que dívida do governo brasileiro”, afirmou, diante do potencial de crescimento do país.
Apesar de ver potencial do Brasil ficar entre os cinco melhores locais de investimento em 2024, Jablonski diz que Japão e México estão melhores posicionados no momento, e a Principal está com maior exposição nesses países enquanto permanece neutro no Brasil, mas de olho em um possível aumento na exposição de acordo com o andamento no corte de juros. “As ações brasileiras possuem potencial de ‘value’ e de ‘growth’.”
Em relação ao México, o executivo disse que o país “se beneficiou muito da tendência de transferência de empresas de outros países para lá, enquanto Japão deve se beneficiar de novos comportamentos de consumo que estão surgindo com a inflação”. Segundo ele, a maior inflação no Japão está levando as pessoas a gastarem mais antes do iene se depreciar. “Com o aumento do consumo, aumenta a lucratividade das empresas, vendas e receitas crescem, o nível da dívida aumenta, ou seja, uma melhora nos fundamentos japoneses.”
Outros dois movimentos, na avaliação de Jablonski, devem ajudar os emergentes. O primeira é uma recessão nos EUA. “Considerando cada vez mais certa uma recessão americana a partir do quarto trimestre, estamos olhando oportunidades fora dos EUA ”, disse. “Esperamos uma recessão suave, que deve durar de seis a oito meses, por isso estamos reduzindo nossa exposição em ações nesse momento no mercado americano e aumentando em renda fixa. É um momento de reduzir o apetite por risco”, afirma. O executivo diz acreditar que o Federal Reserve deve elevar os juros pela última vez em 0,25 ponto percentual nesta semana e vai mantê-los elevados até 2024, quando deverá realizar quatro cortes nos juros, de 0,25 ponto percentual cada, “dependendo da desaceleração inflacionária”.
O segundo movimento são os problemas enfrentados por outros emergentes, como China e Índia, o que, segundo ele, pode permitir que o Brasil abocanhe uma maior parte da atividade econômica dos mercados emergentes. “A China está com problemas para recuperar sua economia depois da abertura. O ritmo do crescimento econômico está menor que o esperado e decepcionante. A reabertura dos negócios não foi bem-sucedida. Ao mesmo tempo, a Índia teve muitos problemas com a pandemia e está tendo dificuldade em se firmar como um polo industrial.”
Fonte: Valor Econômico
