O Itaú Private Bank elevou de neutra para overweight sua recomendação tática para a renda variável global. A mudança vale tanto para a Carteira Local, com exposição ao S&P 500, quanto para a Carteira Internacional, em Global Equities, e será implementada nos dois casos pelo aumento da posição em ações dos EUA.
Segundo Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú Unibanco, a decisão reflete um deslocamento no mapa de regimes macroeconômicos usado pelo banco. A ferramenta acompanha, em uma amostra global, a proporção de países com inflação e atividade em aceleração, dividindo o cenário em quatro quadrantes. Quando mais da metade dos países muda de direção em uma dessas dimensões, o ambiente macro global também muda.
Em julho, os indicadores apontavam inflação acelerando e atividade perdendo fôlego, combinação que elevava o risco de estagflação. Diante disso, o banco reduziu a recomendação de ações globais para neutro, mantendo apenas a exposição prevista na carteira estrutural. Desde então, uma proporção maior de países passou a registrar aceleração da atividade, e o indicador voltou ao primeiro quadrante, que combina inflação e crescimento em alta. Historicamente, esse regime tende a ser favorável à renda variável, ainda que menos do que o cenário de atividade acelerando com inflação em queda.
Wu atribui a oscilação recente entre os dois quadrantes a uma disputa entre choques opostos. De um lado, o barril de petróleo acima de US$ 100, reflexo do conflito no Oriente Médio, representa um grande choque negativo de oferta: pressiona a inflação, reduz o poder de compra das famílias, comprime margens e pode frear a atividade. De outro, o ciclo de investimento em infraestrutura de inteligência artificial já ganhou escala macroeconômica e funciona como choque positivo de demanda, ao mobilizar chips, servidores, data centers, energia, refrigeração, terrenos e redes. Se os guidances forem cumpridos, 2026 será o primeiro ano em que o capex consolidado de Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle superará o investimento de todo o setor global de upstream de óleo e gás. Ambos os choques empurram a inflação para cima, mas disputam a direção da atividade.
Além da mudança de regime, o banco destaca os lucros. A temporada de resultados concluída entre o fim de julho e agosto levou as estimativas de lucro para este ano e o próximo a continuarem subindo nos EUA e em outras regiões, em parte pela continuidade da adoção de IA, que até agora não parece ter sido interrompida pelo petróleo e pelos juros mais altos. Como os mercados acionários andaram de lado nos últimos meses, o valuation ficou mais atrativo: hoje o investidor paga menos por unidade de lucro esperado.
O estrategista ressalta que petróleo e juros elevados seguem como ventos contrários e precisam ser monitorados. Ainda assim, avalia que o crescimento global robusto e em melhora, somado às revisões positivas de lucros, justifica voltar a investir em renda variável global acima do peso previsto na carteira estratégica.
Fonte
Itaú Private Bank — Comunicado “Visão de Investimentos”, setembro de 2026 (Thomas Wu, estrategista-chefe de Investimentos do Itaú Unibanco S.A.)



