São altas as expectativas de participantes do mercado em relação ao desempenho dos ativos domésticos nesta segunda-feira. Ao longo da noite e da madrugada, casas estrangeiras importantes se alinharam à expectativa de agentes domésticos, que já haviam indicado a expectativa de um forte rali nos mercados após Flávio Bolsonaro (PL) aparecer à frente no resultado do primeiro turno das eleições.
De certa forma, isso já começou a se materializar em alguns ativos brasileiros negociados no exterior. Em Tóquio, o principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras, o Next Funds Ibovespa Linked, saltou 12,32%. E, em Nova York, nos negócios do pré-mercado, o EWZ vai na mesma linha e agora sobe 11,42%. A sessão desta segunda-feira, assim, promete ser de movimentos intensos não somente na bolsa, mas também em câmbio, juros e crédito.
Nas estimativas dos estrategistas do Deutsche Bank, os juros futuros devem cair em torno de 1 ponto percentual, “à medida que o prêmio eleitoral se desfaz”. O banco, inclusive, mantém preferência por posições aplicadas na ponta curta da curva de juros. Parte da aposta otimista do banco alemão sobre a queima de prêmios de risco no mercado tem relação com o novo desenho do Congresso, após o bom desempenho do PL no Senado, em especial.
O movimento também chamou atenção do chefe de pesquisa do Ashmore Group, Gustavo Medeiros. “Pelas nossas contas, a direita ficará com cerca de 50 das 81 cadeiras do Senado e caminha para governar cerca de dois terços dos estados. Isso dá ao próximo Congresso peso suficiente para definir a agenda”, enfatiza.
Como possíveis pontos de tensão, Medeiros menciona uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, além da pressão sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Já o diagnóstico econômico de um possível governo Flávio é visto como ‘correto’ por Medeiros, diante das indicações de um Estado menor e de um papel maior para o setor privado. “Ancorar a política fiscal na dívida, com os gastos congelados enquanto a dívida bruta superar 65% do PIB — hoje ela está em cerca de 82% —, juntamente com um ajuste de aproximadamente 1,5% do PIB em 18 meses, representaria uma ruptura crível com o passado. Se implementado, isso abriria caminho para o Brasil voltar ao grau de investimento em um horizonte de quatro a seis anos.”
Entre os profissionais do J.P. Morgan, a expectativa é de que o dólar teste o nível de R$ 5,00 e de que a curva de juros exiba um movimento de “bull flattening”, ou seja, de que as taxas de longo prazo caiam de forma mais expressiva do que as mais curtas. “Consideramos atraentes posições aplicadas no DI para janeiro de 2037, com alvo de 13%.”
E, no crédito corporativo, o banco acredita que o resultado do primeiro turno dará suporte ao mercado para um fechamento dos spreads do CEMBI Brasil [índice do J.P. Morgan que acompanha títulos de dívida de empresas brasileiras emitidos em dólar], “embora uma compressão sustentável deva se concentrar em créditos com grau de investimento e nos ‘BB’ de melhor qualidade, como Vale, Embraer, Gerdau e Arcos Dorados, além dos bancos brasileiros”.
“Diante desse cenário, e após o desempenho recente mais fraco do crédito corporativo brasileiro em relação tanto ao CEMBI geral quanto ao soberano brasileiro, elevamos nossa recomendação para o CEMBI Brasil com grau de investimento de ‘neutra’ para ‘overweight’ [equivalente a compra]”, dizem os profissionais do J.P. Morgan.
Fonte: Valor Econômico



