O senador Flávio Bolsonaro (PL) saiu do primeiro turno da eleição presidencial como favorito para vencer a disputa contra o presidente Lula (PT), avalia o BTG Pactual em relatório de estratégia publicado nesta segunda-feira (5). Para o banco, uma vitória do candidato da direita no segundo turno deve desencadear um rali nos ativos brasileiros, puxado pela reprecificação de valuation.
Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula por cerca de 2 pontos percentuais (47% contra 45% dos votos válidos), ou 2,2 milhões de votos, resultado que surpreendeu a maior parte dos institutos de pesquisa. Segundo o BTG, como a maioria dos demais candidatos é de direita ou centro-direita, seria natural esperar que boa parte de seus votos, 9,3 milhões ou 7,8% do total, migrasse para Bolsonaro. A esperança de Lula, na leitura do banco, estaria em atrair os 33 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno (20,9% do eleitorado), cenário considerado improvável, sobretudo porque 20 dos 27 estados já tiveram suas eleições para governador definidas no primeiro turno.
O relatório também destaca uma “onda à direita” no Senado. O PL conquistou 19 novas cadeiras e passará a controlar 28 das 81 vagas a partir de 2027. Somando os senadores alinhados à agenda de Bolsonaro, o bloco chega a algo entre 40 e 43 parlamentares, o que daria maioria à coalizão. Movimento semelhante ocorreu nas eleições estaduais, com partidos de direita vencendo a maior parte das disputas, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Apenas sete estados terão segundo turno para governador.
Do lado dos mercados, o BTG observa que as ações brasileiras negociam a 10 vezes o P/L projetado para 12 meses, excluindo Petrobras e Vale, um desvio-padrão abaixo da média histórica. Em caso de vitória de Bolsonaro, o mercado deve esperar medidas mais firmes para enfrentar os desequilíbrios fiscais do país. Na avaliação do banco, o múltiplo poderia retornar rapidamente à média histórica de 11,9 vezes, o que implica potencial de valorização de 20%. Se o Ibovespa voltar a negociar um desvio-padrão acima da média (14,5 vezes), como ocorreu diversas vezes no passado, o upside chegaria a 45%.
Considerando uma janela mais curta, de dez anos, período em que as ações locais operaram em patamares deprimidos, o potencial é mais modesto: 11% até a média de 11,1 vezes e 32% até um desvio-padrão acima (13,2 vezes). Os ganhos em dólar seriam ampliados por uma valorização, ainda que moderada, do real.
Entre os setores que devem ter desempenho desproporcionalmente melhor estão retailers, homebuilders de média e alta renda, nomes ligados a mercado de capitais e companhias alavancadas, além de papéis com grandes posições vendidas. As preferências do BTG incluem Renner, C&A, Assaí, Cyrela, B3, XP, Localiza, Motiva, Rede D’Or, Equatorial, Energisa, Auren, Sabesp e Allos. Entre os nomes de maior beta, o banco cita Movida, Vamos, Cosan, Dexco e Bradesco.
No grupo das mais alavancadas da cobertura, medidas por dívida líquida/Ebitda estimada para 2026, lideram HBR Realty (12,9 vezes), LOG CP (8,3 vezes), Lojas Quero-Quero (7,9 vezes), BrasilAgro (7,7 vezes) e Auren Energia e Helbor (6,1 vezes cada). Já entre as ações com maior short interest em relação ao volume negociado, que podem ter repique relevante nos próximos dias, destacam-se Taesa (28,6 dias para zerar a posição), MBRF (25,6), Fras-le (24,2), Unipar (21,2) e Auren (18,9).
Fonte
BTG Pactual Global Research — “Brazil Strategy: Presidential Elections – Senator Bolsonaro is now favorite to win; markets should rally”, 5 de outubro de 2026 (Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira)



