Fundos de pensão e endowments estão usando ETFs para substituir a indexação interna, expressar visões ativas e acessar mercados de difícil alcance — remodelando a forma como os portfólios são construídos e administrados.
Investidores institucionais há muito usam exchange-traded funds (ETFs) como uma solução provisória — transformando caixa em exposição ao mercado acionário [equitizing cash] ou mantendo exposição de mercado enquanto transferem ativos entre gestores.
Cada vez mais, os ETFs estão fazendo mais do que isso. Em fundos de pensão e endowments, eles estão sendo usados para substituir equipes internas de indexação, contrabalançar gestores ativos e fornecer acesso a mercados que antes exigiam mandatos dedicados ou estruturas operacionais complexas.
A mudança aparece nos dados. Instituições dos EUA e do Canadá aproximadamente dobraram seu uso de ETFs nos últimos cinco anos, alcançando US$ 337 bilhões, segundo pesquisa da Invesco e da Cerulli Associates a ser divulgada na terça-feira. Os ETFs ainda representam uma pequena parcela da maioria dos portfólios institucionais — tipicamente entre 0,5% e 3% —, um indicativo de que a mudança tem menos a ver com adoção em massa e mais com a forma como partes específicas dos portfólios estão sendo repensadas e implementadas. Para o estudo sobre ETFs, a Cerulli realizou uma série de entrevistas com 31 tomadores de decisão de investimento em instituições com pelo menos US$ 1 bilhão em ativos.
Um dos exemplos mais claros dessa mudança é o Municipal Employees’ Retirement System of Michigan, que deixou de administrar portfólios indexados internamente. As baixas taxas dos ETFs colocaram em dúvida se o custo com equipe interna, treinamento e o risco de erros justificava administrar os ativos dentro de casa.
Garrett Glawe, chefe de especialistas em ETFs para asset owners [proprietários de ativos] da Invesco, disse que o MERS Michigan, administrado pelo CIO Jeb Burns, agora tem 50% de seu portfólio em ETFs e os usa para fazer ajustes táticos trimestrais. “Eles podem reajustar títulos investment grade versus high yield com muita facilidade usando ETFs, certo? Você não precisa contratar um novo gestor. É literalmente apenas um clique de botão”, afirmou. Quarenta e cinco por cento dos participantes da pesquisa usaram ETFs para apostas táticas.
Alguns grandes investidores estão usando ETFs como contrapeso a gestores ativos que administram portfólios concentrados. O State of Wisconsin Investment Board e o Texas Permanent School Fund, por exemplo, construíram posições de US$ 1 bilhão em ETFs de peso igualitário [equal-weight ETFs] para manter esses gestores, mas também “fornecer algum lastro ao portfólio, caso os mercados acionários se ampliem”, disse Glawe. Esse é o momento em que o ETF de peso igualitário teria bom desempenho.
As decisões de instituições menores sobre ETFs muitas vezes dizem tanto respeito ao tempo quanto ao custo. Com equipes limitadas supervisionando portfólios cada vez mais complexos, muitas estão usando ETFs para mercados líquidos e então concentrando seus esforços em mercados privados, onde acreditam poder agregar mais valor. Como um investidor disse a Brendan Powers, diretor de pesquisa de desenvolvimento de produtos da Cerulli, “Já administramos o S&P 500 internamente antes… somos apenas uma equipe pequena e isso realmente não valia a pena”.
Powers disse que a mudança em direção aos ETFs reflete uma transformação mais ampla na forma como as instituições pensam a implementação.
Os ETFs estão sendo usados de maneira muito mais ativa do que as pessoas poderiam esperar, disse ele. Embora muitas vezes sejam rotulados como passivos, as instituições os estão usando para expressar visões, ajustar alocações e, em alguns casos, substituir mandatos tradicionais.
Powers acrescentou que um plano público de porte médio que estava buscando um gestor de títulos high yield escolheu uma estratégia ativa baseada em opções que só estava disponível na forma de ETF, enquanto um pequeno endowment escolheu um ETF quantitativo de small caps ao procurar um gestor de empresas de pequena capitalização. “Eles não vão usá-lo apenas como uma ferramenta operacional, ou para fazer uma aposta tática; ele faz parte dessa busca por posição central”, disse.
Os ETFs também estão sendo usados para substituir ou representar provisoriamente coisas que antes eram ilíquidas ou operacionalmente complexas. North Carolina State e New Jersey Police and Fire estão usando ETFs de bank loans [empréstimos bancários] que têm a mais alta correlação de 10 anos com private credit [crédito privado] dentro da linha de renda fixa da Invesco, como proxy [substituto de referência] para a classe de ativos ou como um placeholder temporário [alocação temporária] antes dos capital calls [chamadas de capital]. Glawe disse que algumas instituições, incluindo o MERS, estão até mesmo emprestando sua carteira de ETFs de bank loans, que cobra 0,65%, para recuperar as taxas.
Por enquanto, a maioria das instituições ainda usa ETFs para fins operacionais ou táticos — administrar caixa, manter exposição ou expressar visões de curto prazo. Apenas um grupo menor está avançando mais, usando-os como posições centrais ou substituindo mandatos de longa data. Mas essa divisão pode diminuir ainda mais e refletirá até onde os investidores institucionais estão dispostos a levá-los.
Os ETFs estão borrando linhas que antes definiam os portfólios institucionais — entre ativo e passivo, público e privado, interno e terceirizado.
A mudança diz tanto sobre as instituições — seu tamanho, quadro de pessoal e necessidade de flexibilidade — quanto sobre os próprios ETFs.
Fonte: Institutional Investor
