Por Philip Aldrick, Bloomberg, Valor — São Paulo
11/01/2023 14h50 Atualizado há 13 horas
A ameaça de recessão, a crise do custo de vida e o aumento das dificuldades para pagar dívidas dominarão a economia mundial nos próximos dois anos, enquanto luta para superar a pandemia e a guerra na Ucrânia, aponta uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial.
Seu Relatório de Riscos Mundiais, uma pesquisa anual feita com 1.200 profissionais de governos, empresas e sociedade civil e compilada pela fundação, com sede em Genebra, sugere turbulências à frente, com os países enfrentando “crises de energia, inflação, alimentação e segurança”.
Quase sete em cada dez entrevistados consideram que o curto prazo será caracterizado por economias voláteis e múltiplos choques, enquanto um quinto deles teme “resultados catastróficos” dentro de uma década.
Segundo a pesquisa, o risco mais imediato é o da crise do custo de vida, enquanto as maiores ameaças de longo prazo continuam relacionadas às mudanças climáticas. Saadia Zahidi, diretora geral do Fórum Econômico Mundial, está preocupada com a possibilidade de que o mundo entre em um “ciclo vicioso”.
“Pouquíssimos líderes da geração de hoje passaram por esse tipo de riscos tradicionais nas áreas de alimentos e energia, enquanto ao mesmo tempo lutam contra o que está por vir em termos de dívida, o que está por vir em termos de mudanças climáticas”, disse ela. “Vamos precisar de uma espécie de novo tipo de liderança que seja muito mais ágil.”
Na próxima semana, o Fórum Econômico Mundial fará sua reunião anual em Davos, na Suíça, onde a elite empresarial, política e acadêmica compartilhará ideias e começará a traçar planos para o próximo ano.
O encontro começará em um momento em que a inflação está no nível mais alto das últimas quatro décadas em muitas economias avançadas, e com taxas de juro muito mais elevadas do que qualquer um previa 12 meses atrás.
O relatório faz um chamamento pela cooperação mundial e adverte que, se os governos lidarem mal com a crise atual, “correm o risco de provocar sofrimento social em um nível sem precedentes, se investimentos em saúde, educação e desenvolvimento econômico desaparecerem, corroendo ainda mais a coesão social”.
Aumentos nos gastos militares podem reduzir o apoio a famílias vulneráveis, deixar alguns países em um “estado perpétuo de crise” e adiar a necessidade urgente de enfrentar as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade.
No pior dos casos, a “guerra geoeconômica” pode se transformar em remilitarização. Segundo o relatório, é provável que as rivalidades geopolíticas aumentem as restrições econômicas e exacerbem os riscos de curto e longo prazos. E aponta que os países devem trabalhar em conjunto.
“Nesta mistura de riscos mundiais conhecidos e emergentes que já é tóxica, o evento de um novo choque, desde um novo conflito militar até um novo vírus, pode se tornar incontrolável”, disse Zahidi. “Portanto, o clima e o desenvolvimento humano devem estar no centro das preocupações dos líderes mundiais para reforçar a resiliência contra choques futuros.”
As questões ambientais têm dominado os riscos de longo prazo nos últimos anos e ocuparam os três primeiros lugares da lista em todos os relatórios do fórum dos últimos cinco anos.
O relatório também alertou que o mundo pode enfrentar um período de “policrise”, em que a interação de um conjunto de riscos causa problemas futuros mais graves. Uma dessas ameaças pode resultar da “rivalidade por recursos”, à medida que os países competem por recursos naturais, o que inclui alimentos, água e energia. (Colaborou Samuel Dodge)
Fonte: Valor Econômico
