Por Agências internacionais
12/01/2023 10h59 Atualizado há 11 horas
Os preços ao consumidor nos EUA caíram pela primeira vez em mais de 2 anos e meio em dezembro, em meio à queda dos preços da gasolina e dos veículos motorizados, oferecendo esperança de que a inflação agora esteja em uma tendência de queda sustentada.
A inflação ao consumido caiu para 6,5% em dezembro na comparação anual, segundo dados oficiais divulgados ontem. Foi a sexta desaceleração consecutiva em termos anuais, abaixo dos 7,1% em novembro. Em termos mensais, os preços caíram 0,1% em dezembro em relação a novembro, a primeira queda desde maio de 2020.
Embora a taxa anual ainda esteja em níveis historicamente elevados, trata-se do número mais baixo desde outubro de 2021 e representa um declínio notável em relação aos 9,1% alcançados em junho. Essa desaceleração reforça as evidência de que as pressões de preços atingiram o pico, o que abre espaço para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) abrandar seu aperto monetário.
“Este é o ponto de partida para taxas de inflação muito melhores, o que deve reforçar a confiança do consumidor e das empresas”, disse Joe Brusuelas, economista-chefe da consultoria tributária RSM.
A atentamente acompanhada medida “núcleo” da inflação, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, e é considerada o melhor indicador para a trajetória da inflação, subiu 0,3% no mês em dezembro, trazendo a taxa anual para 5,7% — trata-se da menor alta desde dezembro de 2021.
O declínio de dezembro foi atribuído a uma queda acentuada nos preços da gasolina, que caíram 9,4% no mês e agora estão apenas 1,5% acima dos níveis de há um ano. Isso mais do que compensou o aumento nos custos relacionados à moradia, com o índice de abrigos subindo 0,8% no mês, trazendo a taxa anual para 7,5%.
Os economistas esperam que a inflação relacionada à moradia caia drasticamente no fim deste ano, refletindo a queda acentuada nos preços das casas e a estabilização dos valores de aluguéis. Essas mudanças levam tempo para aparecer nas estatísticas oficiais do governo, ficando para trás em cerca de seis a nove meses, segundo Michael Pond, chefe de pesquisa global sobre inflação do Barclays.
As novas evidências de desaceleração da inflação podem abrir caminho para o Fed reduzir o ritmo de aperto monetário para 0,25 ponto percentual na próxima reunião de fevereiro. Mas o trabalho do Fed está longe de acabar.
A persistente demanda do consumidor americano, principalmente por serviços, combinada com um mercado de trabalho apertado, ameaça manter a pressão de alta sobre os preços. O Fed está muito atento à chamada inflação de serviços, que as autoridades dizem estar intimamente ligado ao mercado de trabalho e aos fortes ganhos salariais dos últimos anos. Em dezembro, a inflação de serviços básicos subiu 0,5% no mês e 7% na comparação anual.
Fonte: Valor Econômico
