Por Eduardo Magossi — De São Paulo
13/01/2023 05h01 Atualizado há 4 horas
A desaceleração da inflação americana – revelada ontem pelo índice de preços ao consumidor de dezembro, que recuou 0,1% no mês e caiu a 6,5% no ano – levou muitos economistas de grandes brancos a repensar a possibilidade de uma redução no ritmo das altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Mas a maioria ainda não prevê cortes de juros em 2023.
O economista-chefe do banco suíço Lombard Odier, Samy Chaar, disse ao Valor que o Fed não irá cortar os juros em 2023, apesar dos sinais de desaceleração da inflação, porque mais esforços são necessários para retornar a economia ao normal, como o esfriamento do mercado de trabalho. “E, para isso, os juros terão que ficar elevados por um bom tempo”, afirmou.
“Esperamos que o Federal Reserve pare de elevar os juros no primeiro trimestre, com taxa final de 5%, mas evite cortá-las por um período prolongado, para garantir uma dinâmica de crescimento salarial contida”, disse Chaar, para quem a precificação de cortes de juros nos próximos meses, prevista pelo mercado, está em desacordo com a estratégia do Fed de desaquecer o mercado de trabalho, ainda bastante firme. “O núcleo da inflação de serviços continua muito alto e está relacionado à força do mercado de trabalho, e isto é crítico para a política monetária do Fed”, diz.
Para o economista Jan Hatzius, do Goldman Sachs, a desaceleração da inflação abre as portas para uma nova redução no ritmo do aperto em fevereiro. Mas, segundo ele, o Fed irá subir os juros mais do que o esperado pelo mercado e deverá deixá-los num patamar elevado por mais tempo. Hatzius estima que o Fed não deverá cortar as taxas em 2023. O Goldman prevê três altas de 0,25 ponto a serem realizadas em fevereiro, março e maio, com a taxa final atingindo o intervalo entre 5% e 5,25% em maio.
A moderação da inflação tirou um pouco da pressão do Fed para apertar ainda mais a política monetária, mas, ao mesmo tempo, a queda da inflação não é convincente o suficiente para impedir mais altas de juros, avalia o economista-chefe do banco suíço Julius Baer, David Kohl. Segundo ele, apesar da desaceleração da inflação e de indicadores de atividade econômica mostrarem dados mais fracos, vários membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) expressaram sua determinação em elevar mais os juros.
Kohl defende apenas mais uma alta de 0,25 ponto na próxima reunião, de fevereiro. “Qualquer alta adicional de juros pelo Fed pode ser um erro de política que afetará o crescimento econômico no segundo semestre, aumentando a probabilidade de cortes de juros daqui para frente”, disse.
O economista-sênior da Oxford Economist, Bob Schwartz, disse que uma alta de 0,25 ponto seria melhor. “A melhora dos gargalos nas cadeias de abastecimento, a redução na demanda, a mudança nas preferências de compras dos consumidores de bens para serviços e os preços mais baixos de energia estão todos contribuindo para desacelerar as taxas de inflação, que devem continuar caindo gradualmente por todo 2023”, disse Schwartz ao Valor.
Para a economista-chefe do Morgan Stanley, Ellen Zentner, o dado de dezembro confirmou que a desaceleração das pressões inflacionárias está se tornando arraigada, preparando o cenário para outra redução no ritmo de aperto. “Embora as projeções econômicas do Fed feitas em dezembro apontem uma taxa final mais elevada, continuamos esperando por apenas mais uma alta de 0,25 ponto antes de uma pausa e um primeiro corte nos juros já em dezembro”.
Já o economista da ASA Investimentos, Angelo Polydoro, acredita que, mesmo que o ritmo das altas de juros seja reduzido, o tamanho da elevação projetada pelo Fed em dezembro, de 0,75 ponto, será mantido.
Fonte: Valor Econômico
