O dólar teve forte queda nesta segunda-feira, dando continuidade às perdas da última sessão, em meio a especulações de uma intervenção cambial no Japão, que levou a uma forte apreciação do iene contra a moeda americana.
Os rendimentos dos Treasuries tiveram leve queda e pouco oscilaram durante o dia, com investidores na expectativa da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano) na quarta. Em Nova York, as bolsas tiveram firme alta, com impulso das ações de tecnologia, antes de balanços importantes para o setor.
No fim da sessão, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes, tinha queda de 0,53%, aos 97,08 pontos, após chegar aos 96,81 na mínima do dia. O desempenho foi pressionado pela forte valorização do iene em relação à moeda americana. Por volta das 18h45 (de Brasília), o dólar tinha queda de 0,57% sobre o iene japonês, a 154,255 ienes.
Desde a última sessão, os investidores reagem à notícia de que o Ministério das Finanças do Japão teria feito um “rate check” com operadores na intenção de entrar no mercado de câmbio, em um momento em que o iene negocia próximo a seu menor valor frente ao dólar americano em 18 meses. Segundo fontes próximas ao assunto ouvidas pela Reuters, a distrital do Fed de Nova York também teria consultado participantes do mercado sobre as cotações de dólar e iene, o que é considerado um sinal de intervenção.
Para o Citi, EUA podem enxergar uma ação coordenada com o Japão como uma estratégia razoável e de baixo custo
Osamu Takashima, estrategista de câmbio do Citi, afirma que, embora o “timing” da notícia tenha surpreendido, os acontecimentos recentes vão em linha com sua visão de longo prazo de que o governo de Takaichi e o Banco do Japão (BoJ) estão atuando para defender a desvalorização do iene, em conjunto aos EUA. Ele observa que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, parece preocupado que os efeitos da normalização da política monetária do BoJ e outras políticas do governo japonês possam acabar impactando também os mercados dos EUA e o cenário global.
“Os Estados Unidos podem enxergar uma ação coordenada com o Japão como uma estratégia razoável e de baixo custo”, comenta, mas ainda vê que é difícil imaginar que os EUA cheguem ao ponto de realizar uma intervenção efetiva no mercado de câmbio, vendendo dólares. Takashima opina que a tendência recente de enfraquecimento do iene provavelmente não será totalmente interrompida.
No mercado de ações, as bolsas de Nova York tiveram firme alta, recuperando parte das perdas recentes, após o S&P 500 registrar sua segunda queda semanal consecutiva pela primeira vez desde junho. O índice Dow Jones subiu 0,64%, aos 49.412,40 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,50%, aos 6.950,30 pontos, e o Nasdaq avançou 0,43%, aos 23.601,356 pontos.
Entre os setores da bolsa americana, comunicação (alta de 1,32%) e tecnologia (0,84%) lideraram os ganhos, com destaque para as ações da Apple (2,97%) e da Meta (2,06%), que tiveram firme valorização no dia e divulgam seus resultados financeiros nesta semana. A Microsoft (0,93%), que não teve ganhos tão expressivos na sessão, e a Tesla (-3,25%) também abrem seus números nos próximos dias. Juntas, as empresas representam 16% do valor de mercado do S&P 500.
Os rendimentos dos Treasuries tiveram queda e operaram dentro de uma faixa estreita de preços nesta segunda, com variações mais expressivas nas pontas média e longa da curva. No horário mencionado acima, os rendimentos das T-notes de 2 anos recuavam a 3,598%, de 3,610% no fechamento anterior, e os rendimentos das T-notes de 10 anos caíam para 4,215%, ante 4,246% na última sessão. Os rendimentos das T-bonds de 30 anos cediam a 4,798%, de 4,836%.
Nesta semana, investidores acompanham a decisão de política monetária do Fed. É amplamente esperado que o banco central americano mantenha os juros inalterados e o centro das atenções estará na entrevista do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell. “A questão central desta reunião será como Powell comunicará a pausa: se será uma manutenção dovish, na qual ele ontinua a enfatizar que o cenário ainda sustenta novos cortes de juros, ou se Powell indicará uma pausa mais duradoura”, comentam os economistas do Morgan Stanley.
Fonte: Valor Econômico
