Existem oportunidades em quase todas as classes de ativos no médio e longo prazos, se o cenário macroeconômico positivo se confirmar no próximo ano, afirmou o diretor de Investimentos (CIO) da Bradesco Asset Management (Bram), Philipe Biolchini. O gestor participou do Congresso Brasileiro de Previdência Privada, organizado pela Abrapp.
Segundo o especialista, “quando olhamos para a frente e juntamos com nosso cenário macro, vemos oportunidades muito boas em praticamente todo o mercado de capitais no médio e longo prazos”. Conforme o executivo, “com a atual aversão ao risco, estamos encontrando preços que a gente não vê há muito tempo”.
Biolchini afirmou que “há rentabilidade garantida acima de 6% em tudo o que você olha”. O gestor citou, como exemplo, que “você consegue aplicar em dólar, em títulos de dívida nos EUA, ganhando variação da moeda americana mais 6%”.
O CIO da Bram explicou haver muitas incertezas no cenário atual, que levam o mercado a se posicionar de maneira muito cautelosa. “O comportamento do mercado nas curvas mais longas do juro americano é, por exemplo, uma discussão muito importante”, avaliou.
No curto prazo, existem variáveis que vão manter a volatilidade elevada. A Bram projeta a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ainda fazer mais uma nova elevação para uma taxa terminal entre 5,50% a 5,75%.
“A mensagem principal é que a intensidade da desaceleração da atividade e da desinflação talvez ainda não esteja no patamar ideal, mas está acontecendo”, afirmou. “O PIB global terá desaceleração em 2024 e vemos os BCs no fim do ciclo de alta de juros lá fora”, complementou.
No Brasil, pontuou Biolchini, “acreditamos que o terceiro trimestre já vai trazer sinais de moderação do [crescimento do] PIB”. A Bram projeta manutenção do ritmo de corte da Selic pelo BC de 0,50 ponto por reunião. A casa tem uma estimativa de taxa básica no fim do ciclo de afrouxamento em 9% ao ano.
“Essa discussão da Selic terminal, com o mercado precificando taxas mais perto de 11%, tem mais a ver com a volatilidade no cenário internacional atual”, disse o diretor da Bram.
“O processo de queda de juros no Brasil é consistente e as condições de aperto na economia seguem valendo”, acrescentou.
Para o CIO da Bradesco Asset, “tudo leva a crer que o governo vai manter os compromissos [de maior equilíbrio] fiscais [nos próximos anos]”. Conforme o executivo, “provavelmente não vamos zerar déficit fiscal [em 2024], mas existe predisposição para que as coisas caminhem na direção correta”.
Conforme Biolchini, “a despeito de tudo o que estamos vendo nesse curto prazo, o que está acontecendo na economia global é razoavelmente previsível e saudável”. O CIO avaliou que “não acontece no ritmo que a gente previu ou esperava, mas os desfechos parecem bem delineados, com PIB global caindo em relação a 2023 e taxas de juros altas, mas caindo em 2025 em relação a 2024, e inflação cadente nos próximos anos”.
No Brasil, BC tende a manter um ritmo de corte da Selic de 0,50 ponto e chegar até 9% ou 10%. “Para 2025, temos projeção de PIB crescendo melhor do que em 2024, inflação controlada, câmbio estável, dívida com trajetória de crescimento, mas nada explosiva. Então, acalmando as coisas no exterior estaremos numa trajetória interessante.”
O CIO da Bram ressaltou que, “se a perspectiva da economia é boa, é mais provável que o governo siga nesse caminho”. A perspectiva de melhora e maior estabilidade macroeconômica abre oportunidades no mercado de renda fixa para os próximos anos.
“Nos últimos anos, os ganhos foram dominados pelo CDI. Nenhum índice de renda fixa, sejam IRFM [precificado] ou IMA [indexado à inflação], bateu o referencial pós-fixado. Mas isso gera uma expectativa de que essas classes podem proporcionar ganhos significativos para a frente [em um cenário de queda de juros, inflação controlada e menos turbulências externas].”
Conforme Biolchini, “do ponto de vista macro, faz sentido esperar mais ganhos [na renda fixa] e do ponto de vista estatístico e histórico é um bom momento [para alocação co horizonte de médio prazo]”.
Fonte: Valor Econômico