Pelos preços extraídos da atual curva de juros, o mercado pressupõe que o Banco Central conseguiria cortar a Selic até o patamar de 10,75% no ano que vem — número bastante divergente da mediana das estimativas dos economistas coletadas no Focus, que está em 9%. No entanto, segundo um estudo realizado pelo economista-chefe do PicPay, Marco Antonio Caruso, uma taxa de 10,75% faria com que os modelos da autoridade monetária apontassem para uma projeção de inflação de 2,5% em 2025, bem abaixo do centro da meta perseguida pelo Copom, de 3%.
“Parece um pouco exagerada a precificação atual. Mas também eu custo a acreditar que isso é o que os agentes esperam para a Selic terminal. Tenho brincado que agora o mundo inteiro é um mercado emergente e que a volatilidade nas curvas está muito grande. Dado esse cenário de ‘stops’ e de performance ruim dos multimercados no ano, ninguém volta a apostar com convicção na queda dos juros pré-fixados”, diz o economista.
De acordo com o exercício elaborado por Caruso, para que a precificação de Selic em 10,75% tornasse possível uma projeção de inflação de 2025 próxima do centro da meta (aproximadamente 3,10%) o câmbio precisaria se desvalorizar para o patamar dos R$ 5,50 por dólar.
“Levando em conta a curva atual, para que o BC não promova um ‘undershoot’ [exagere na dose de juro, levando a inflação para baixo do centro da meta], o câmbio precisaria subir bastante. Parece que há gordura”, afirma Caruso.
Alterando as variáveis da última reunião do Copom para os preços atuais, Caruso aponta que as projeções de Selic do Focus — atualmente em 9% — tampouco serviriam para levar a inflação para o centro da meta em 2025.
“Qual Selic seria compatível? Fazendo esses exercícios, se o Banco Central parasse nos 9,75% ele chegaria no centro da meta em 2025 — ainda que fique um pouco acima em 2024. Não é o caminho do Focus, já que os 9% parecem fazer o BC perder a meta em 2025, mas também não é o que está na curva de juros hoje. É mais um meio do caminho”, afirma Caruso.
Assim, por ora, o plano de voo traçado pelo Banco Central parece seguro. “O que o exercício mostra é que, a não ser que o conflito e os juros americanos provoquem uma desvalorização expressiva do câmbio, não vejo uma ameaça direta para as projeções do BC. Ir cortando para os 9,75%, por enquanto, satisfaz as condições de hoje e não faria sentido o BC, de alguma maneira, sancionar os preços que estão na curva atualmente”, defende.
O economista, por ora, mantém a projeção de Selic terminal a 8,5% no fim de 2024, em meio ao cenário de incertezas globais elevadas. “Apesar do exercício estar me dizendo para revisar, prefiro esperar o cenário ficar um pouco mais claro. O risco geopolítico é de difícil precificação. Além disso, a discussão sobre o juro longo nos EUA é sobre o prêmio de risco — algo que também é difícil de quantificar. Há inúmeras justificativas: o ‘QT’ [redução do balanço de ativos do Fed]; problemas de demanda; o baixo apetite da China por Treasuries… Mas ainda tem um pouco de ‘papo de bar’, no sentido de que é difícil chegar a um número mágico. Com duas coisas de difícil precificação, prefiro aguardar um pouco.”
Pelos preços extraídos da curva de juros hoje, o mercado pressupõe que o Banco Central conseguiria cortar a Selic até o patamar de 10,75% no ano que vem — número bastante divergente da mediana das estimativas dos economistas coletadas no Focus, atualmente em 9%. No entanto, segundo um estudo realizado pelo economista-chefe do PicPay, Marco Antonio Caruso, uma taxa de 10,75% faria com que os modelos da autoridade monetária apontassem para uma projeção de inflação de 2,5% em 2025, bem abaixo do centro da meta perseguida pelo Copom (3%).
“Parece um pouco exagerada a precificação atual do mercado. Mas também eu custo a acreditar que isso é o que os agentes esperam para a Selic terminal. Tenho brincado que agora o mundo inteiro é um mercado emergente e que a volatilidade nas curvas está muito grande. Dado esse cenário de ‘stops’ e de performance ruim dos multimercados no ano, ninguém volta a apostar com convicção na queda dos juros pré-fixados”, afirma o economista.
De acordo com o exercício elaborado por Caruso, para que a precificação de Selic em 10,75% tornasse possível uma projeção de inflação de 2025 próxima do centro da meta (aproximadamente 3,10%), o câmbio precisaria se desvalorizar para o patamar dos R$ 5,50 por dólar.
“Levando em conta a curva atual, para que o BC não promova um ‘undershoot’ [exagere na dose de juro, levando a inflação para baixo do centro da meta], o câmbio precisaria subir bastante. Parece que há gordura”, afirma.
Alterando as variáveis da última reunião do Copom para os preços atuais, ele aponta que as projeções de Selic do Focus — atualmente em 9% — tampouco serviriam para levar a inflação para o centro da meta em 2025.
“Qual Selic seria compatível? Fazendo esses exercícios, se o Banco Central parasse nos 9,75% ele chegaria no centro da meta em 2025 — ainda que fique um pouco acima em 2024. Não é o caminho do Focus, já que os 9% parecem fazer o BC perder a meta em 2025, mas também não é o que está na curva de juros hoje. É mais um meio do caminho”, afirma.
Assim, por ora, o plano de voo traçado pelo Banco Central parece seguro. “O que o exercício mostra é que, a não ser que o conflito e os juros americanos provoquem uma desvalorização expressiva do câmbio, não vejo uma ameaça direta para as projeções do BC. Ir cortando para os 9,75%, por enquanto, satisfaz as condições de hoje e não faria sentido o BC, de alguma maneira, sancionar os preços que estão na curva atualmente”, defende.
O economista, por ora, mantém sua projeção de Selic no fim do ciclo a 8,5% no fim de 2024, em meio ao cenário de incertezas globais elevadas.
“Apesar do exercício estar me dizendo para revisar, prefiro esperar o cenário ficar um pouco mais claro. O risco geopolítico é de difícil precificação. Além disso, a discussão sobre o juro longo nos Estados Unidos é sobre o prêmio de risco — algo que também é difícil de quantificar. Há inúmeras justificativas: o ‘QT’ [redução do balanço de ativos do Fed]; problemas de demanda; o baixo apetite da China por Treasuries… Mas ainda tem um pouco de ‘papo de bar’, no sentido de que é difícil chegar a um número mágico. Com duas coisas de difícil precificação, prefiro aguardar um pouco”, diz.
Fonte: Valor Econômico