O governo brasileiro elevou consideravelmente suas projeções para a inflação e agora prevê que ela ficará acima da meta pelo menos até 2027, refletindo o impacto da guerra no Oriente Médio.
O Ministério da Fazenda prevê inflação anual de 4,5% em dezembro, acima dos 3,7% estimados anteriormente, segundo projeções divulgadas nesta segunda-feira. O aumento dos preços ao consumidor no Brasil deverá fechar 2027 em 3,5%, contra a previsão anterior de 3%.
“O choque nos preços internacionais do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, pressionou os insumos industriais e os custos de transporte, com possíveis repercussões para itens da cadeia alimentar”, escreveram as autoridades em um boletim.
“Esse cenário é consistente com uma trajetória de inflação mais prolongada e persistente ao longo de 2026, o que motiva uma revisão para cima da projeção.”
Inflação longe da meta
Os formuladores de políticas estão lutando para levar a inflação do Brasil de volta à meta de 3%, mesmo após meses de custos de empréstimo na casa dos dois dígitos.
Além do impacto do conflito no Irã sobre os preços ao consumidor, novos estímulos governamentais, incluindo cortes de impostos e renegociação de dívidas familiares, estão fortalecendo a demanda na maior economia da América Latina.
Novos auxílios estão sendo liberados, visto que pesquisas recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma disputa acirrada para as eleições de outubro.
A previsão de inflação de 4,5% coloca o aumento dos preços ao consumidor no limite superior da faixa de tolerância do banco central, ressaltando o quanto as perspectivas se deterioraram.
O governo aumentou sua estimativa para o preço médio do petróleo neste ano de US$ 73,09 para US$ 91,25 o barril — um aumento de aproximadamente 25%.
Os custos do petróleo bruto dispararam após a escalada do conflito no Oriente Médio, reacendendo os temores de interrupções mais amplas no fornecimento e novos choques inflacionários globais.
O ministério manteve inalterada sua previsão de crescimento econômico para 2026 em 2,3%, embora as autoridades agora esperem que a atividade desacelere no segundo e terceiro trimestres antes de uma leve recuperação se consolidar no final do ano.
O Banco Central do Brasil reduziu os custos de empréstimo em 0,25 ponto percentual pela segunda reunião consecutiva em abril, para 14,5%. Naquele momento, os formuladores de políticas sinalizaram que o afrouxamento monetário poderia ser ajustado com base em novas informações.
O Ministério da Fazenda agora prevê que a taxa de referência Selic termine 2026 em 13%, acima dos 12% previstos anteriormente. Em contrapartida, economistas consultados pelo banco central elevaram sua estimativa para o custo de captação de recursos no final do ano para 13,25%, ante os 13% estimados anteriormente, segundo uma pesquisa semanal divulgada nesta segunda-feira.
Esses analistas também elevaram suas projeções de inflação para o final de 2026 pela décima semana consecutiva, para 4,92%.
Fonte: Capital Aberto

