Abalados por um ano muito negativo, a classe dos fundos multimercados surfou a onda de otimismo que se seguiu ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, após a liderança do candidato Flávio Bolsonaro, com discurso mais pró-mercado, animar os investidores. Diversos fundos ganharam bastante com a disparada das ações e a queda dos juros e do dólar na segunda-feira (5), o chamado “kit Brasil”.
Levantamento feito por Luigi Wis, especialista de investimentos da Crava Capital com os principais gestores do mercado, mostra ganhos de até 8% no dia, mas também algumas perdas. “O intuito foi mapear o posicionamento dos gestores no chamado ‘kit Brasil’, não se trata de avaliação de performance, até porque obviamente um dia não é representativo”, explica Wis. “Dito isso, acredito que gestores que tiveram ganho abaixo de 2% deixaram dinheiro na mesa.”
O levantamento levou em conta também fundos com volatilidade de até 6% ao ano, ou seja, que podem perder ou ganhar 6% em um ano. Um efeito dessa volatilidade é que mesmo fundos com alto rendimento no dia acumulam perdas ou rendimentos mais baixos que o CDI no ano, de 10,68% até dia 5.
Um deles é o Vista Hedge, da Vista Capital, que lidera o ranking com retorno de 8% na segunda-feira, mas perde 7,41% em 2026. “O Vista é um outlier nesta lista, é um multimercado bem high vol, quase o dobro da volatilidade dos outros, cabe essa diferenciação”, explica Wis. “Já os que deram mais de 4% foram brabos mesmo, acho dentro do mandato”, acrescenta.
Em outro extremo, o Adam Macro teve perda de 1,17% na segunda, mas acumula ganho de 26,95% no ano. O fundo tem posições mais negativas com relação ao Brasil e maiores apostas em dólar e no mercado americano. Já os fundos da Legacy e da Verde Asset conseguiram se sair bem no dia e acumulam ganhos no ano acima do CDI.
A vantagem dos multimercados no ambiente atual é que eles podem acessar mercados que seriam mais difíceis ou sofisticados para o investidor comum, como mercados de opções ou futuros. O uso de opções no mercado internacional foi o meio preferido por vários deles, como Verde e Ibiuna, para ganhar exposição à bolsa brasileira durante as eleições. Impulsionado pelo mercado de derivativos, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras em Wall Street, registrou no dia 5 a maior captação de sua história.
Os números mostram uma recuperação desses fundos, que vinham apresentando resultados ruins ao longo do ano depois da reversão do cenário global com a guerra do Irã e a disparada do petróleo. Os resultados, no entanto, podem ser bem heterogêneos, e, como a Anbima ainda não divulgou os dados referentes à segunda-feira, não se sabe como o rali pós-primeiro turno afetou a classe como um todo.
Confira o desempenho dos principais fundos multimercados no dia 5/10:
| Fundo | Gestora | Rendimento em 5/10 (%) | Rendimento no ano (%) |
|---|---|---|---|
| Vista Hedge | Vista | 8,15 | -7,41% |
| Legacy Capital | Legacy | 4,75 | 11,85 |
| Ibiúna Hedge STH | Ibiuna | 4,12 | 8,05 |
| Absolute Vertex | Absolute | 2,95 | 10,12 |
| Occam Ret. Abs. | Occam | 2,8 | 6,39 |
| Vinland Macro | Vinland | 2,26 | 8,19 |
| AZ Quest Multi Max | AZ Quest | 2,08 | 10,38 |
| Kinea Atlas | Kinea | 2,01 | 11 |
| Verde Master | Verde | 2,25 | 15,43 |
| Kapitalo Kappa | Kapitalo | 1,15 | 8,76 |
| Armor Axe | Armor | 0,76 | 10,23 |
| Genoa Radar | Genoa | 0,75 | 14 |
| Quantitas Mallorca | Quantitas | 0,7 | 9,13 |
| SPX Nimitz | SPX | 0,07 | 7,4 |
| Adam Macro | Adam | -1,17 | 26,95 |
| CDI | – | 0,05 | 10,68 |
Fonte: Gestoras, com dados da Economatica.
Fonte: InfoMoney



