O Banco Mundial revisou para cima, de 1,9% para 2,1%, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A estimativa, sempre de crescimento, para 2027 caiu de 2% para 1,7%, enquanto a de 2028 subiu de 2,2% para 2,3%. Os dados fazem parte do relatório Panorama Econômico da América Latina e Caribe, divulgado na terça-feira (6).
O crescimento do PIB brasileiro deve ficar neste ano no mesmo ritmo ou abaixo da média regional, de 2,2%. Segundo o Banco Mundial, a atividade econômica no Brasil é restringida pelo aperto das condições monetárias – processo considerado necessário para dar continuidade à perda de força da inflação -, pelas incertezas sobre a política econômica e pelo arrefecimento do investimento público. A Selic está em 13,75% ao ano.
“No Brasil, condições monetárias restritivas pesam sobre a demanda interna, enquanto um mercado de trabalho ainda aquecido continua a oferecer certo suporte”, afirma o relatório, ao mencionar o impacto das taxas de juros reais elevadas.
A projeção do Ministério da Fazenda é ligeiramente inferior para 2026. A pasta estima crescimento de 2% do PIB neste ano, segundo o Boletim Macrofiscal de setembro.
No contexto regional, o Banco Mundial manteve em 2,2% a projeção para o crescimento da América Latina e do Caribe em 2026, um pouco abaixo da expansão de 2,4% registrada em 2025. Para a instituição, o resultado indica resiliência na absorção de choques externos.
O crescimento modesto reflete o atual equilíbrio de políticas, e não o potencial da região. “Os países de melhor desempenho na região, sejam eles de longa data, sejam reformistas recentes, mostram que um crescimento mais elevado é possível mesmo sem ‘boom’ de commodities”, diz o órgão.
IA pode ser catalisador da produtividade na América Latina, defende instituição
A Argentina deverá crescer por três anos consecutivos, entre 2025 e 2027, “pela primeira vez em quase duas décadas”, segundo o Banco Mundial. El Salvador e Paraguai também mantêm desempenho superior, sustentados pela melhora nas condições de segurança, consolidação fiscal e investimentos privados. Panamá e República Dominicana apresentam expansão robusta.
No Caribe, Guiana e Suriname têm crescimento impulsionado pelo petróleo, em contraste com a recuperação pós-pandemia das economias insulares dependentes do turismo.
O Banco Mundial também destacou a inteligência artificial (IA) como potencial catalisador da produtividade na região, embora sua adoção entre os países ainda seja superficial. Na América Latina e no Caribe, cerca de 17% dos adultos em idade ativa usam ferramentas de IA generativa, segundo a instituição. Isso é menos da metade da taxa observada nos Estados Unidos e no Canadá.
“A fronteira tecnológica emergente da IA apresenta-se como um potencial catalisador [da produtividade], mas apenas se as expectativas em nível macro estiverem rigorosamente fundamentadas nas realidades em nível micro”, afirma o relatório.
O acesso digital, por si só, não garante o uso produtivo da IA, assim como a adoção de algoritmos não se traduz automaticamente em ganhos de produtividade. Para que a tecnologia contribua para o crescimento sem ampliar desigualdades, o Banco Mundial ressalta que a região ainda precisa superar barreiras como a informalidade crônica, o atraso na mecanização do capital e os déficits de capital gerencial e humano.
Para a instituição, as principais barreiras à adoção produtiva da tecnologia não são custo ou acesso, mas conhecimento gerencial, qualificação dos trabalhadores e capacidade de reorganização das empresas. Cerca de 8% da força de trabalho ocupa empregos altamente qualificados que podem se beneficiar da IA, mas 10% estão em ocupações rotineiras, com tarefas mais expostas à automação.
Para o Banco Mundial, uma “segunda onda” poderá alcançar gradualmente o trabalho físico à medida que os custos das tecnologias de automação diminuírem. Esse processo poderá atingir cerca de um quarto dos trabalhadores em funções manuais rotineiras.
Fonte: Valor Econômico


