Por Harriet Agnew e Costas Mourselas — Financial Times
03/01/2025 05h01 · Atualizado há 5 horas
O principal fundo hedge da Citadel Asset, do badalado gestor Ken Griffin, terminou 2024 com ganho de 15,1%, logo à frente do produto da Millennium Management, do rival de longa data Izzy Englander. Os dois superaram a performance da indústria de fundos hedge como um todo, num ano marcado pela forte alta das ações nos Estados Unidos.
O fundo Wellington da Citadel teve valorização de 1,7% em dezembro, enquanto o da Millennium subiu 2,5%, de acordo com investidores, mesmo com os mercados de ações globais recuando um pouco. O fundo da Millennium terminou o ano com alta de 15%.
A Citadel tem hoje US$ 66 bilhões em ativos, enquanto a Millennium administra US$ 72,1 bilhões. As duas gestoras não quiseram comentar o assunto. Os fundadores de ambas as casas são pioneiros do modelo de fundos hedge do tipo multiestratégia. Esses fundos negociam uma ampla gama de estratégias em ações, renda fixa, commodities, moedas e outros mercados de risco em geral.
A Citadel e a Millennium parecem ter superado o desempenho da indústria de fundos hedge, que somava US$ 4,5 trilhões no ano passado. Os fundos hedge subiram em média 2,4% em novembro, acumulando uma valorização de 10,2% nos primeiros 11 meses de 2024, de acordo com a consultoria Hedge Fund Research. O provedor de dados ainda não publicou os números relativos a dezembro.
No ano passado, o índice S&P 500 da bolsa de Nova York, que engloba empresas consideradas “blue chips” dos EUA subiu 23,3%, puxado pela forte alta das empresas de tecnologia. A Citadel faz apostas direcionais e de arbitragem, enquanto a Millennium executa uma estratégia neutra de mercado, que visa ganhar dinheiro independentemente da direção dos mercados.
Os gestores do segmento multiestratégia normalmente empregam um sistema de risco centralizado, projetado para evitar grandes perdas. O setor se tornou o segmento mais popular da indústria global de fundos hedge, com promessa de retornos consistentes com baixa volatilidade, independentemente das oscilações do mercado, repercutindo em clientes como fundos de pensão e fundos soberanos. Citadelfaz apostas direcionais e de arbitragem, já a Millennium visa ganhar independente da direção do mercado.
Os multiestratégias subiram 6,8% nos primeiros 11 meses do ano passado, de acordo com a HFR. Os ganhos da indústria no ano passado foram liderados por fundos hedge focados em ações, que subiram 3,1% em novembro e 13,1% nos primeiros 11 meses do ano. O desempenho em novembro foi impulsionado pela vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA, à medida que gestores e investidores se posicionaram para políticas mais favoráveis às empresas por parte da nova administração.
Citadel e Millennium estão entre um grupo de grandes fundos hedge que entregaram ganhos de dois dígitos no ano passado. O fundo da Balyasny Asset Management, também do segmento multiestratégia, ganhou 1,8% em dezembro e terminou o ano com alta de 13,6%, de acordo com uma pessoa familiarizada com a posição do fundo. A Balyasny não quis comentar.
O ExodusPoint, produto da gestora fundada pelo ex-chefe de renda fixa do Millennium Michael Gelband teve alta de 11,3% no ano passado, de acordo com investidores. A ExodusPoint não quis comentar.
O principal fundo D.E. Shaw, o Composite, teve alta de 18% em 2024, e seu segundo maior fundo, o Oculus, que faz principalmente apostas macro, subiu 36% – melhor ano de todos os tempos, de acordo com uma pessoa familiarizada com a situação. A gestora, que soma US$ 65 bilhões em ativos, deve devolver metade dos lucros do ano passado dos dois fundos aos clientes. A D.E. Shaw se recusou a comentar os números, que foram relatados pela primeira vez pela Bloomberg.
O fundo Third Point Offshore, do gestor Dan Loeb, que se concentra em estratégias orientadas a eventos e valor, perdeu 1,4% em dezembro e encerrou 2024 com alta de 24,2%, de acordo com investidores. A Third Point se recusou a comentar.
Fonte: Valor Econômico


