Riqueza da diversidade de pessoas só maximizará a inovação quando todos forem realmente valorizados e ouvidos
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Pincéis articulados para maquiagem para pessoas com deficiência física ou limitação motora nos membros superiores; pincéis com pontos táteis para identificação sensorial de pessoas com deficiência visual; protetor solar com acabamento 100% invisível, respeitando as mais diversas especificidades de tons de pele. Essas são algumas das inovações recentes de diferentes marcas do Grupo Boticário que levam em conta as necessidades da população brasileira.
Tais lançamentos só foram possíveis graças ao compromisso da companhia com a diversidade e inclusão e a um time diverso, que traz diferentes perspectivas para a área de pesquisa e desenvolvimento do grupo. “Nos últimos anos, o Grupo Boticário tem criado estratégias para ampliar e naturalizar a pauta de diversidade e inclusão, relacionando-a às necessidades de colaboradores, da sociedade e de todo o ecossistema em que estamos inseridos”, explica Rony Santos, gerente sênior de diversidade e inclusão (D&I) do Grupo Boticário.
Para avançar nessa agenda, a companhia lançou a “Comunidade Beleza Livre”, em 2022. Trata-se de um grupo on-line composto por pessoas diversas para o codesenvolvimento de produtos. A comunidade conta com mais de dois mil consumidores nas cinco regiões do Brasil e inclui diferentes grupos de diversidade. Além disso, conta Santos, existe um time na área de D&I dedicado a atuar de forma estratégica com as equipes de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e marketing, ministrando treinamentos sobre o tema e acompanhando o desenvolvimento de produtos de ponta a ponta.
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Na Natura, a nova linha de cuidados corporais Tododia Jambo Rosa e Flor de Caju, desenvolvida para peles pretas e pardas, contou com a parceria de duas consultorias especializadas em diversidade étnico-racial, além do perfumista negro Jerry Padoly, responsável pela fragrância. O lançamento da linha também foi fundamentado no projeto interno Dandara, estudo baseado no mapeamento sobre bem-estar da mulher negra por meio de uma abordagem psicossocial. “Iniciativas como essas são indispensáveis, já que a oferta global de produtos específicos para pele preta e parda ainda é bastante limitada”, afirma Aline Lima, head de diversidade, equidade e inclusão da Natura. Ela reforça que a diversidade para a empresa, além de ser uma alavanca para cocriar um futuro mais sustentável, inovador e inclusivo, é compromisso público. “A inovação, para a Natura, vai além de diferencial competitivo: é um dos nossos principais vetores de geração de impacto positivo para a sociedade”, diz.
Vale pontuar que, como mostram esses exemplos, não basta somente a diversidade do time para criar valor. Um relatório da consultoria Accenture aponta que, sim, “a diversidade continua sendo elemento fundamental para impulsionar a inovação; no entanto, uma cultura de igualdade é multiplicador essencial” nesse processo. Isso significa que as pessoas diversas precisam estar inseridas em um ambiente com cultura igualitária, onde suas vozes sejam de fato ouvidas para que possam contribuir e agregar conhecimento, ideias e percepções.
O estudo da Accenture com 18 mil pessoas em 27 países mostra que empresas com cultura mais igualitária demonstram até seis vezes mais potencial de inovação. “Mas a melhor forma de perceber essa correlação é na prática, experimentando trabalhar com pessoas diversas e percebendo os resultados no dia a dia”, comenta Luciana Lutaif, líder da prática de talentos e organizações da Accenture Brasil.
Criar uma cultura de igualdade é papel da liderança. “Na minha visão, o primeiro passo é a intencionalidade”, afirma Lutaif. “É uma decisão da liderança, que deve ser declarada a toda organização, seja pela cultura e valores, seja pela implementação de ações práticas, como na preparação dos gestores para fomentar a diversidade, nas práticas de atração e retenção de talentos e em todos os sistemas de gestão da empresa.”
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Para ela, é fundamental tratar a diversidade e inclusão da mesma forma que qualquer outra prioridade estratégica de negócio, com metas claras, bem definidas com plano de ação e acompanhamento constante ao longo dos anos. “Se a liderança não está convencida de sua importância, nenhum departamento ou regra por si só será capaz de mobilizar a organização para esse caminho.”
Paula Santana, diretora-executiva de produção na AKQA Casa, estúdio criativo que faz parte de uma rede global de design e inovação com mais de 5.500 profissionais em 30 países, corrobora essa visão. “Acho importante sinalizar que é necessário criar um ambiente de trabalho onde a diversidade seja realmente valorizada e integrada ao processo criativo”, afirma. “É fundamental que os líderes promovam uma cultura em que todos se sintam à vontade para compartilhar suas ideias e perspectivas, sem medo de serem julgados. Aí, sim, a diversidade pode ser um catalisador para a inovação.”
Por meio da plataforma SOMA+, focada em expandir o conhecimento profissional e promover a inclusão de jovens negros, indígenas e periféricos na indústria da publicidade e no mercado criativo, as 15 agências da WPP, incluindo a AKQA, capacitaram mais de três mil estudantes. Além dessa iniciativa, a AKQA tem um programa de recrutamento de talentos que moram fora do eixo Rio-São Paulo. O trabalho é remoto, com equipamentos fornecidos pelo estúdio e auxílio à internet. As vagas afirmativas da primeira edição foram direcionadas para mulheres pretas e a segunda, em 2022, para homens pretos e mulheres pretas. Neste ano, foram selecionadas pessoas trans, travestis e não binárias. Em 2025 o foco serão pessoas acima dos 50 anos.
“A publicidade dita comportamentos e influencia a cultura coletiva”, diz Santana. “Podemos usar a inovação e a criatividade como ferramentas de transformação estrutural em campanhas, projetos e iniciativas internas que conectam de forma genuína causas sociais e ambientais ao lado de marcas e da sociedade.”
Ela diz que a intenção dessas ações é trabalhar cada vez mais com a missão de endereçar e influenciar os parceiros a ter compromissos com essas pautas. “Os clientes buscam a ajuda das agências para satisfazer os consumidores que hoje exigem das marcas responsabilidade social e ambiental”, diz. “Mas essa ajuda só será efetiva se os times das agências espelharem a sociedade em que as marcas estão inseridas.”
Daniela Panagassi, vice-presidente global de pessoas e organização da Eurofarma, do setor farmacêutico, tem percepção parecida. “A inclusão de diferentes vozes e visões não só promove um ambiente de trabalho mais colaborativo, como também nos permite entender melhor as necessidades de nossos clientes e do mercado, resultando em soluções mais eficazes e inovadoras”, afirma.
Nesse sentido, a empresa tem uma ação interna chamada “Programa Clic”, por meio da qual os funcionários apresentam suas ideias, “sejam elas simples ou complexas, buscando melhorias para processos na companhia”. “Pode ser um novo produto, uma melhoria em uma rotina de trabalho, a solução de um problema ou outra proposta que represente um avanço”, explica Panagassi. “O importante é ter em mente que inovar não significa necessariamente ter ideias geniais, e a diversidade é fundamental para termos diferentes perspectivas e olhares.” Até o momento, segundo a executiva, a Eurofarma registrou mais de 300 novas ideias nesse programa, das quais mais de 250 foram implementadas.
Esse tipo de pensamento também vale para quem atua no mercado B2B, entre empresas. A Stefanini, de tecnologia e com mais de 1.300 clientes com realidades diferentes, diz fomentar a diversidade para ter perspectivas complementares sobre produtos, aplicações, ideias e serviços. “Ter diferentes experiências pessoais, relacionais e geracionais nos apoia na complementaridade de visões para que tenhamos sempre as melhores decisões”, afirma Bruno Szarf, vice-presidente global de gente e cultura do grupo Stefanini.
Ele dá um exemplo que mostra como todos têm voz na companhia. “No último ano, um de nossos programas de empreendedorismo interno teve como vencedor o time de estagiários”, conta. “O papel da liderança é fomentar um espaço que as pessoas possam compartilhar ideias, e cocriar é o mais importante.” Mais recente Próxima Projetos de inovação garantem reforço de caixa com financiamentos em alta
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