Com a queda da patente da semaglutida no Brasil, novos medicamentos com proposta semelhante começam a ser desenvolvidos e a chegar ao mercado. Na dianteira está o Ozivy, da farmacêutica nacional EMS, que tem o mesmo princípio ativo e indicação do Ozempic e desembarca nas farmácias nesta semana.
Para ficar claro: a semaglutida é uma molécula desenvolvida pelo laboratório dinamarquês Novo Nordisk. Criada para o controle do diabetes tipo 2 e da obesidade, ela é aplicada semanalmente com uma caneta injetável. O remédio original com a substância é o Ozempic, voltado a pessoas com diabetes. Em outra dosagem, o Wegovy é destinado à perda de peso.
A semaglutida é um análogo de GLP-1. Ou seja, busca imitar um hormônio naturalmente produzido pelo intestino, que, atuando em várias regiões do organismo, com destaque para o cérebro, aumenta a saciedade e promove a liberação de insulina, tirando o açúcar do sangue.
Estudos clínicos demonstraram sua segurança e eficácia não só para o controle do diabetes tipo 2 e a obesidade, mas também para a proteção do coração, dos rins e do fígado.
Ozempic, Ozivy e Extensior
Com a quebra da patente, o Ozivy se tornou a primeira caneta à base de semaglutida de procedência nacional. Sua indicação, a exemplo do original, Ozempic, é o tratamento do diabetes tipo 2, quando as mudanças de hábito e comprimidos como a metformina não sustentam os efeitos esperados.
Mas a versão brasileira não é produzida da mesma forma que a de origem dinamarquesa. O Ozempic é uma molécula biológica, fruto de culturas de células mantidas em laboratório. O Ozivy é obtido a partir de síntese química. Na prática, dados de equivalência suportaram a aprovação pela Anvisa.
O Ozivy está chegando às principais redes de farmácia do Brasil na dosagem de 1 mg. A EMS reforça que, por ser desenvolvido de forma diferente do original, não se trata de um “genérico” ou “similar”, mas de um medicamento genuinamente novo.
Há uma terceira semaglutida disponível nas drogarias e voltada a pessoas com diabetes. Trata-se do Extensior, que é fabricado pela Novo Nordisk, mas distribuído pela Eurofarma. Tem o mesmo princípio ativo e forma de administração do Ozempic e, portanto, os mesmos efeitos na glicemia e no peso, segundo as empresas.
Diferença de preço
O custo das canetas pode variar em função da adesão ou não a programas de desconto e suporte ao paciente das farmacêuticas.
O tratamento mensal com o Ozempic custa, em média, entre R$ 975 e 1.300 (a depender da dosagem), mas, com as iniciativas de desconto e fidelidade mantidas pela Novo Nordisk, a dosagem de 1 mg fica por volta de R$ 1.000.
O Extensior, da Eurofarma, dentro do programa de suporte do laboratório nacional, sai inicialmente por R$ 399 e a manutenção com dose de 1 mg fica por R$ 599.
Já o Ozivy, da EMS, chega ao mercado por R$ 452. Mas, no programa de descontos oferecido pela empresa, o paciente adquire por R$ 287 e, a partir do quarto mês, o valor é de R$ 498.
Todas as versões de semaglutida têm de ser prescritas por um médico e o tratamento deve ser supervisionado pelo profissional para avaliar efeitos colaterais e a resposta à medicação. Desde abril do ano passado, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a venda é feita apenas com receita controlada.
Fonte: VEJA