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UNas últimas duas semanas, o Irã tomou a iniciativa, lançando ataques preventivos com o objetivo de exaurir os EUA e amedrontar seus aliados árabes — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Após seis meses de guerra com os Estados Unidos, o Irã pode alegar ter conquistado uma vantagem significativa, Donald Trump está cada vez mais lutando no ritmo ditado por Teerã.
Nas últimas duas semanas, Teerã tomou a iniciativa, lançando ataques preventivos com o objetivo de exaurir os EUA e amedrontar seus aliados árabes, levando-os a aceitar o controle iraniano do Estreito de Ormuz.
O ataque atingiu uma instalação militar americana na Jordânia, quebrando uma trégua nos combates da semana passada com uma ofensiva surpresa. O Irã e seus aliados regionais ampliaram o teatro de conflitos, interrompendo a navegação no Mar Vermelho, atacando a Síria pela primeira vez e sendo suspeitos de um ataque com drones no Egito.
“O que vimos na última semana foi uma disposição muito maior para assumir riscos e aumentar a aposta preventivamente, em vez de ser sempre reativa”” disse Ellie Geranmayeh, analista do Conselho Europeu de Relações Exteriores, que argumenta que o Irã considera o retorno a um conflito armado em grande escala com Israel e os EUA algo cada vez mais inevitável.
A aposta do regime é que ele consiga dissuadir o presidente americano de retomar grandes operações de combate, indicando como Teerã poderia intensificar o conflito, ou que consiga superar os EUA em uma longa guerra de desgaste, apesar dos enormes custos para o próprio Irã.
“É uma amostra das ramificações regionais que virão”,” disse Geranmayeh, acrescentando que o Irã estava usando seus ataques “como um sinal para os americanos de que, embora os EUA e Israel tenham iniciado esta guerra, eles não serão a parte decisiva em como ela terminará”.
Nos últimos dias, Trump tem considerado a retomada de uma grande campanha de bombardeios, enquanto mediadores trabalham para evitar o retorno a uma guerra declarada. No sábado à noite, Trump afirmou que os EUA, apesar de estarem “prontos para o combate”, cancelariam o ataque planejado a pedido de aliados do Oriente Médio.
Neste domingo (2), Trump disse que o Irã tinha acertado um acordo sobre Ormuz — que seria aplicado hoje — e estava em curso um pacto sobre desnuclearização de Teerã. Mas não deu detalhes. O Irã, por seu lado, disse que acertaria com Omã, na outra margem do estreito, algumas regras para reabrir a passagem.
Teerã e Washington pareciam estar recuando de uma guerra total em junho, quando assinaram um memorando para cessar as hostilidades, negociar um acordo de paz e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã no início da guerra. Mas o acordo fracassou depois que o Irã atacou vários navios que tentavam atravessar a hidrovia clandestinamente, com ambos os lados discordando sobre como interpretar os termos do cessar-fogo.
Trump ordenou uma onda de ataques retaliatórios contra o Irã, provocando ciclos de combates nos quais Teerã atingiu a região com mísseis e drones, e os EUA bombardearam o sul do Irã.
Analistas afirmaram que o Irã, com a Guarda Revolucionária Islâmica em ascensão, decidiu partir para a ofensiva para enfatizar que a continuidade dos combates seria custosa, tanto militar quanto economicamente, para Trump e para o restante do Oriente Médio.
“Há consenso no Irã de que, nas circunstâncias atuais, negociar com os americanos é inútil”, disse Danny Citrinowicz, ex-analista do Irã na inteligência militar israelense. “Eles não vão ceder e estão enfatizando o preço que todos pagarão se forem atacados.”
Mas a abordagem mais ousada do Irã reflete mudanças mais profundas em Teerã após o assassinato do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei. “Este é o novo Irã”, acrescentou Citrinowicz. “Eles acreditam que este é o momento de usar as capacidades que possuem.”
De acordo com observadores do regime, após ter conquistado a iniciativa, o Irã agora busca remodelar o conflito a seu favor.
“Eles intensificam o conflito com um objetivo final em mente, que é controlar o comportamento americano e forçar os EUA a recalcularem suas opções”” disse Vali Nasr, especialista em pensamento estratégico iraniano da Universidade Johns Hopkins. “”Esta será uma guerra regional e os EUA não terão o luxo de escolher seus campos de batalha.”
“O Irã decidiu: ‘Precisamos ser agressivos. Se vamos fazer isso, então a melhor hora é agora'”, disse Farzan Sabet, analista do Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra, acrescentando que figuras em Teerã viam a piora da instabilidade nos mercados mundiais de energia e as eleições de novembro nos EUA como pontos de pressão que afetavam os cálculos da Casa Branca em tempos de guerra.
A abordagem não passou despercebida em Washington. “A estratégia deles é tornar a campanha tão insustentável, tanto econômica quanto politicamente, para os EUA, que acabaremos recuando”, disse Karen Gibson, que anteriormente supervisionou a inteligência das forças americanas no Oriente Médio. Ela acrescentou que a tática pode funcionar a longo prazo.
Fonte: Valor Econômico


