O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para o risco de um efeito dominó no mercado financeiro provocado por uma onda de vendas de ativos dos hedge funds. Esses fundos somam atualmente US$ 13 trilhões (cerca de R$ 67,86 trilhões) em patrimônio e ampliaram significativamente sua exposição ao mercado nos últimos anos.
O alerta aparece em um capítulo do Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês), divulgado pelo FMI. O estudo aponta que os hedge funds mais que triplicaram de tamanho em pouco mais de uma década.
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Segundo informações do Estadão, o crescimento ocorreu principalmente com o uso de alavancagem, mecanismo que permite ampliar os investimentos por meio de recursos tomados de terceiros ou de instrumentos financeiros. Desde 2013, a diferença entre os ativos brutos e líquidos dos fundos, usada pelo FMI como medida de endividamento, aumentou em quase US$ 6 trilhões (R$ 31,26 trilhões).
Exposição dos fundos passa de US$ 40 trilhões
Além do aumento do patrimônio, os hedge funds ampliaram a exposição a diferentes ativos e operações financeiras. O FMI considera nesse cálculo as posições em derivativos que ficam fora dos balanços.
Com isso, a exposição total do setor passou de US$ 13 trilhões (R$ 67,86 trilhões) em 2013 para mais de US$ 40 trilhões (R$ 208,8 trilhões) no início de 2026. O uso de derivativos também aumenta a chamada alavancagem sintética, que permite aos gestores assumir posições maiores sem necessariamente movimentar o mesmo volume de recursos.
Segundo o FMI, o tamanho dos hedge funds tem um efeito positivo para o mercado porque contribui para a liquidez e para a formação de preços. Ao mesmo tempo, a elevada alavancagem aumenta a vulnerabilidade do sistema diante de movimentos bruscos.
Resgates podem ampliar impacto no mercado
O principal risco apontado pelo Fundo aparece quando muitos investidores tentam retirar recursos dos hedge funds em um intervalo curto. Para atender aos resgates, os gestores podem precisar vender grandes volumes de ativos.
Esse movimento pode pressionar os preços e atingir outros participantes do mercado. O FMI calcula que um choque de um desvio-padrão nos retornos dos hedge funds, equivalente a cerca de 2 pontos porcentuais, pode elevar ou reduzir em 1,4 ponto porcentual os retornos dos dealers, também chamados de prime brokers.
Essas instituições mantêm relações financeiras com os fundos e, por isso, podem sentir os efeitos de uma deterioração rápida das condições de mercado.
FMI recomenda mais transparência
Diante dos riscos, o FMI defende um acompanhamento mais detalhado das conexões entre os hedge funds e os demais participantes do sistema financeiro. A proposta inclui ampliar a transparência e melhorar o mapeamento das exposições entre fundos, bancos e outros agentes.
O monitoramento enfrenta dificuldades porque os hedge funds utilizam derivativos, alavancagem e operações em diferentes países. Esses fatores podem dificultar a identificação dos riscos e das relações entre as instituições.
FMI sugere testes de estresse
O FMI também recomenda testes de estresse e análises de cenários para avaliar como os gestores e outras instituições reagiriam a choques financeiros.
Entre as medidas sugeridas estão uma gestão mais eficiente de colaterais, exigências adicionais de capital e limites para exposições concentradas. Com essas medidas, o Fundo busca reduzir a possibilidade de que problemas em determinados hedge funds se espalhem para outras partes do sistema financeiro.
Embora os fundos tenham ampliado a liquidez dos mercados, o FMI considera que o crescimento da alavancagem exige maior controle sobre as conexões e os riscos envolvidos.
Fonte: Times Brasil | CNBC



