Dois ex-diretores do Banco Central avaliam que a autoridade monetária deveria mudar a forma de sinalizar suas próximas decisões sobre a taxa de juros.
Atualmente, o BC indica o que pretende fazer nas duas reuniões seguintes de política monetária, ao anunciar sua decisão para a taxa Selic. Uma sinalização de prazo mais curto, no entanto, contribuiria para que a autoridade monetária fique menos exposta à volatilidade, segundo Bruno Serra, gestor da Itaú Asset, e Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe da asset do BTG Pactual.
Para eles, a alteração a partir da próxima reunião em março é indicada em meio ao momento atual do ciclo monetário, em que a Selic já caiu 2,5 pontos percentuais, para 11,25%. Além disso, traria uma proteção contra a volatilidade externa diante das dúvidas sobre o momento em que o Federal Reserve começará a cortar os juros nos EUA.
Sinalizar apenas uma reunião adiante daria um “grau de liberdade” ao Banco Central, disse Serra.
“BC compra, não sinalizando junho, um seguro contra volatilidade contra cenário externo e interno”, afirmou Berriel durante evento do BTG nesta quinta-feira. “O BC já se expôs demais no ‘forward guidance’.”
O último comunicado do Copom, de janeiro, manteve a expressão “próximas reuniões”, no plural, para indicar o prazo em que a Selic seguirá sendo reduzida ao ritmo de 0,50 ponto percentual.
Para Berriel, o BC tem dado sinalizações claras de querer interromper os cortes com a Selic a 9,5%, nível já antecipado pelo mercado na curva de juros e ainda contracionista em razão das expectativas de inflação pressionadas.
Os diretores também veem um horizonte favorável para o câmbio. Serra destaca sobretudo a dinâmica positiva da balança comercial, que mostra avanço estrutural em razão do aumento na produção de petróleo. “Superávits comerciais vão continuar e câmbio terá que ajustar, terá que valorizar”, afirmou.
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Bruno Serra: Sinalizar apenas uma reunião adiante daria um “grau de liberdade” ao Banco Central — Foto: Divulgação
Fonte: Valor Econômico
