Israel está decidido a punir o Irã pelo ataque de drones e mísseis a seu território no sábado à noite e o gabinete de guerra israelense voltou a se reunir ontem para traçar a estratégia da retaliação. Mas EUA e os seus aliados europeus intensificaram esforços para dissuadir os israelenses de um contra-ataque.
O gabinete extraordinário de guerra segue dividido sobre como e quando responder ao ataque do Irã — que Teerã disse ter sido em resposta ao assassinato por Israel de um importante general iraniano e outros seis funcionários em um edifício diplomático iraniano em Damasco, na Síria. Israel não confirma nem nega envolvimento no bombardeio de Damasco.
“Estamos olhando para o futuro e considerando nossos passos. O lançamento de mísseis e drones em território israelense não pode ficar sem resposta”, disse o chefe das forças de Israel, Herzi Halevi.
Ao mesmo tempo, O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o premiê do Reino Unido, Rishi Sunak, disseram que os países ocidentais estavam preparando sanções contra Teerã — numa tentativa de convencer Israel a abrir mão de uma resposta militar. O Irã já é fortemente sancionado pelo Ocidente por alegações de apoiar o terrorismo e levar adiante um programa nuclear secreto.
Israel enfrenta um conjunto cada vez mais delicado de cálculos políticos para a resposta ao Irã. Já luta em três frentes: na Faixa de Gaza contra o Hamas; na sua fronteira norte, com o Hezbollah; a tenta reprimir a agitação na Cisjordânia. Agora, está sob pressão para dissuadir o Irã de novos ataques, entre apelos dos aliados para que exerça contenção. O governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, precisa equilibrar a necessidade de mostrar força com o desejo de manter unida a tênue parceria estratégica contra o Irã — que inclui a Arábia Saudita e Jordânia.
“A questão é responder de forma inteligente, de forma que não prejudique a oportunidade de cooperação regional e internacional que criamos”, disse Michael Oren, ex-embaixador de Israel nos EUA.
Horas depois do ataque de sábado, o presidente dos EUA, Joe Biden advertiu Israel para que tenha cautela em qualquer resposta ao ataque do Irã. No domingo, pressionou os aliados por uma frente diplomática unida, na tentativa de impedir que as hostilidades se transformem em uma guerra aberta que poderia envolver todo o Oriente Médio e enredar os EUA.
“Juntamente com os nossos parceiros, derrotamos esse ataque”, disse Biden ontem, na primeira declaração pública sobre a ofensiva do Irã, durante uma reunião com o premiê iraquiano, Mohammed al-Sudani. Biden disse que os EUA estão “comprometidos com a segurança de Israel”. “Estamos empenhados em um cessar-fogo na Faixa de Gaza que trará reféns para casa e evitará que o conflito siga se espalhando”, disse, referindo-se à negociação de uma trégua entre Israel e Hamas que incluiria a libertação de mais de 130 cativos, tomados pelo grupo no ataque que lançou em 7 de outubro a Israel.
Nas semanas anteriores ao ataque do Irã, Israel enfrentou críticas — incluindo dos EUA — ao crescente número de mortos em Gaza e à resistência dos israelenses em acatar um cessar-fogo. Segundo números oficiais dos dois lados, o Hamas matou 1,2 mil israelenses em outubro e mais de 33 mil palestinos morreram em seis meses de guerra na Faixa de Gaza.
A relação tensa de Israel com o governo de Biden também pode influenciar os planos do Irã, disse Sanam Vakil, especialista do centro Chatam House do Reino Unido. “Penso que Teerã decidiu que, se Israel e Irã entrarão num ciclo de escalada, é melhor fazê-lo agora, durante a governo Biden”, disse.
O ataque do Irã — anunciado antecipadamente e com o uso de drones que levariam de cinco a seis horas para atingir os alvos — foi “muito calibrado” para limitar danos, disse Vakil. Ainda assim, adfirma, “estamos perto como nunca da guerra regional ampla”.
O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, general Hossein Salami, disse que o país responderá a qualquer futuro ataque.
A base de extrema direita que sustenta o governo de Netanyahu, por seu lado, também exige uma forte retaliação contra o Irã. “Para criar dissuasão no Oriente Médio, Israel tem de se mostrar duro”, disse Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel.
Outro fator de tensão na escalada entre Israel e Irã diz respeito aos preços do petróleo. Mas as cotações têm se mantido em níveis estáveis desde o começo do ano passado e o barril do Brent — a referência internacional — chegou a cair abaixo dos US$ 90.
Fonte: valor econômico