Por Reuters — De Washington
22/06/2022 05h02 Atualizado há 9 horas
Os EUA estão incitando seus aliados a combater o trabalho forçado nas cadeias de valor. Essa pressão ocorre num momento em que entrou em vigor uma lei que proíbe a importação de produtos da região chinesa de Xinjiang, onde, segundo Washington, Pequim comete crime de genocídio.
O Departamento de Alfândega e Proteção a Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) dos EUA começou ontem a fiscalizar o cumprimento da Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado Uigure, sancionada pelo presidente Joe Biden em dezembro.
O CBP disse que está pronto para implementar a “premissa refutável” da lei de que todos os produtos provenientes de Xinjiang, onde Pequim criou campos de prisioneiros para uigures e outros grupos muçulmanos, são elaborados com trabalho forçado e proibidos de importação, salvo por apresentação de prova em contrário.
“Estamos mobilizando nossos aliados e parceiros para tornar as cadeias globais de suprimentos livres do uso do trabalho forçado, para denunciar as atrocidades em Xinjiang e para se juntarem a nós e exigir que o governo da China ponha um fim imediato às atrocidades e abusos de direitos humanos”, disse ontem o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em comunicado. “Juntamente com nossos parceiros interagências, continuaremos a mobilizar empresas, para lembrá-las das obrigações jurídicas americanas.”
A China nega cometer abusos em Xinjiang, região produtora de algodão que também fornece boa parte dos insumos mundiais para a montagem de painéis de captação de energia solar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, disse ontem que as acusações de trabalho forçado em Xinjiang são “uma grande mentira concebida por forças antichinesas”. “Com essa assim chamada lei, os EUA tentam criar desemprego forçado em Xinjiang e exigir que o mundo se descole da China”, disse Wang.
Pequim inicialmente negou a existência de qualquer campo de prisioneiros, mas mais tarde reconheceu que criou “centros de treinamento vocacional” necessários para coibir o que definiu como terrorismo, separatismo e radicalismo religioso em Xinjiang.
Na semana passada, o CBP emitiu uma lista de entidades de Xinjiang que estariam, supostamente, usando trabalho forçado. Inclui empresas do setor têxtil, de polissilício para captação de energia solar e eletrônicas. Importações originárias de outros países também serão proibidas se houver insumos produzidos em Xinjiang.
Fonte: Valor Econômico
