Por Phil Stewart e Andrea Shalal — Reuters, de Washington
13/02/2023 05h01 Atualizado há 4 horas
Caças americanos abateram ontem um objeto octogonal próximo ao Lago Huron, informaram autoridades americanas. Foi o quarto objeto derrubado neste mês. Forças de segurança americanas estão em nível de prontidão elevados devido à ameaça de balões espiões chineses. Os incidentes ameaçam prejudicar ainda mais as já tensas relações entre os EUA e a China.
O presidente Joe Biden determinou que o objeto fosse abatido quando ele se aproximava do Lago Huron, na fronteira entre EUA e Canadá, disse uma autoridade americana, falando sob a condição de não ter seu nome divulgado.
O objeto parecia ser octogonal em estrutura, com cordas pendentes, mas sem nenhuma carga útil distinguível, disse a autoridade. Não representava uma ameaça militar nem tinha recursos de vigilância, mas poderia ter potencialmente interferido no tráfego aéreo. O objeto foi detectado recentemente sobre o Estado de Montana, desencadeando o fechamento do espaço aéreo americano, disse um graduado funcionário do governo.
O episódio representa o quarto objeto voador não identificado destruído sobre a América do Norte neste mês. Autoridades americanas identificaram o primeiro deles como sendo um balão chinês de espionagem, e o incidente tensionou as relações com Pequim. Autoridades disseram que o mais recente objeto foi abatido com a utilização de um míssil Sidewinder no espaço aéreo americano, a uma altitude de 6.100 metros.
A deputada Elissa Slotkin, que representa um distrito em Michigan próximo de onde o incidente ocorreu, disse que pilotos da Força Aérea e da Guarda Nacional derrubaram o objeto. “Foi um ótimo trabalho de todos os que realizaram essa missão”, escreveu no Twitter.
O primeiro objeto foi um balão abatido ao largo da costa da Carolina do Sul, no dia 4. Na sexta-feira, um segundo objeto foi derrubado perto de Deadhorse, no Alasca. E um terceiro objeto foi destruído no sábado, sobre o território de Yukon, no Canadá, onde os investigadores ainda buscam os destroços.
“Equipes de recuperação estão no local, na tentativa de encontrar e analisar o objeto”, disse ontem o premiê canadense Justin Trudeau. “A segurança dos cidadãos é nossa prioridade número um e é por isso que tomei a decisão de ordenar a derrubada do objeto não identificado”, disse ele, acrescentando que o objeto era ameaça a aviões civis.
A América do Norte está em grau elevado de prontidão contra intrusões aéreas após o surgimento de um balão branco, de origem chinesa sobre os céus americanos no começo deste mês. Esse balão, de 60 metros de altura – que, segundo os americanos, foi usado por Pequim de usar para espionar os EUA – causou um incidente internacional, ao levar o secretário de Estado, Antony Blinken, a cancelar a planejada viagem à China apenas poucas horas antes do horário agendado para a partida.
Os EUA avaliam agora possíveis sanções à China e a empresas e entidades chinesas por causa dos incidentes com os balões.
Isso colocou autoridades americanas em alto nível de prontidão. Por duas vezes em 24 horas, partes do espaço aéreo americano foram fechada, sendo reabertas logo depois. Ontem a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, o órgão regulador da aviação civil) fechou por pouco tempo o espaço aéreo sobre o Lago Michigan. No sábado, as forças militares americanas levantaram voo com caças em Montana para investigar uma anomalia de radar no Estado.
A China nega que o primeiro balão tenha sido usado para espionagem e diz que era um balão civil de pesquisa. Pequim condenou os EUA por abatê-lo.
O líder do Senado americano, Chuck Schumer, disse à TV ABC que autoridades do país consideram que dois dos objetos mais recentes são balões de porte menor do que o original. A Casa Branca limitou-se a dizer que os objetos recentemente derrubados “não tinham muita semelhança” com o balão chinês, corroborando a descrição de Schumer ao defini-los como “muito menores”.
“Não os caracterizaremos enquanto não pudermos recuperar os destroços, e é nisso que estamos trabalhando”, disse porta-voz do governo americano.
O Canadá também busca recuperar o objeto abatido sobre o território de Yukon, mas a operação é difícil. A região, no extremo noroeste do país, na fronteira com o Alasca, é muito pouco povoada e extremamente fria no inverno..
Falando à Fox News, o presidente da Comissão de Relação Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA, Michael McCaul, disse que o balão derrubado sobre o litoral da Carolina do Sul estava em uma missão para obter imagens de delicadas instalações nucleares americanas. “Eles querem obter imagens, inteligência sobre o nosso potencial militar, especialmente o nuclear”, afirmou McCaul. “E eles mesmos estão montando um elevado estoque nuclear.”
O deputado republicano Mike Turner, que atua na Comissão dos Serviços Armados da Câmara dos EUA, sugeriu que a Casa Branca pode estar agora compensando de modo exagerado o que ele descreveu como falhas anteriores no monitoramento do espaço aéreo americano. “Eles parecem um tanto propensos a manter o dedo no gatilho”, disse Turner à CNN.
Os republicanos criticaram o governo Biden pela demora em derrubar o primeiro balão espião chinês. A Casa Branca disse que esperou até que o balão estivesse sobre o mar para abatê-lo, para não ameaçar pessoas em terra.
Fonte: Valor Econômico