Por Victor Rezende, Valor — São Paulo
24/08/2023 14h05 Atualizado há 25 minutos
O estresse observado recentemente no mercado de Treasuries, que se espalhou pela renda fixa ao redor do globo, abriu espaço para investimentos no segmento. “Mesmo para investidores que, normalmente, tiveram alocações muito, muito altas em ações, achamos que há muitas oportunidades para gerar retornos semelhantes a ações se você está disposto a correr ainda mais riscos em sua alocação em renda fixa”, aponta o diretor de investimentos (CIO) da Pimco, David Ivascyn.
“As ações e outros investimentos mais arriscados tiveram um desempenho muito bom nos últimos meses, mas, quando olhamos para o mercado acionário hoje, vemos múltiplos bastante elevados e prêmios de risco de ações (ERP) bastante baixos em um contexto histórico de incerteza macro”, diz o profissional ao se referir ao mercado de ações dos Estados Unidos. Assim, para ele, há um valor “um pouco melhor” nos mercados de renda fixa e em alguns mercados de crédito.
Embora aponte que os índices acionários americanos exibiram um bom desempenho enquanto nas últimas semanas houve um estresse considerável na renda fixa, com disparada dos yields dos Treasuries, Ivascyn ressalta que o valor relativo entre a renda fixa e a renda variável se tornou mais atrativo nos EUA. “Assim, pensamos que, dada a incerteza, não só é possível obter retornos relativos atrativos na renda fixa, mas também retornos muito previsíveis”, enfatiza.
O executivo nota que alguns títulos “high grade” pagam um juro de cerca de 7%, enquanto títulos do Tesouro americano de dois anos têm taxas próximas a 2%. “Achamos que isso faz muito sentido dentro do conjunto de oportunidades para pensar em renda fixa”, aponta Ivascyn. Para ele, o mercado, no momento, imagina um cenário de “no landing” ou de “soft landing”, em que a economia americana não desacelera ou tem apenas um desaquecimento leve. A Pimco, contudo, acredita que ainda há uma hipótese razoável de que ocorra uma recessão ou algum período de fraqueza econômica.
Diante dos níveis elevados dos juros globais, Ivascyn revela que a Pimco tem aumentado a exposição a juros “constantemente”. Ele revela, ainda, que, ao longo dos últimos meses, a Pimco tem reduzido a exposição a algumas áreas mais sensíveis à economia e diversificado ao se expor a títulos lastreados em hipotecas. Além disso, a gestora tem procurado diversificar a exposição a alguns segmentos de maior qualidade em mercados emergentes.
Fonte: Valor Econômico