Por James Politi, Financial Times — Washington
23/08/2023 12h40 Atualizado há um dia
O assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, pediu à China que seja mais transparente sobre a situação da economia do país em um momento em que Pequim enfrenta uma desaceleração que traz riscos ao crescimento global.
Na semana passada, o governo da China suspendeu a divulgação de informações sobre o aumento do desemprego entre os jovens, temendo que elas pudessem indicar uma nova fraqueza na recuperação da segunda maior economia do mundo, endurecendo também as regras de auditoria das empresas no país.
“Estas não são, em nossa visão, medidas responsáveis”, disse Sullivan a jornalistas em Washington na terça-feira. “Para a confiança global, a previsibilidade e a capacidade do resto do mundo de tomar decisões econômicas sólidas, é importante que a China mantenha um nível de transparência na divulgação dos dados.”
Sullivan acrescentou que a Casa Branca tem visto nos últimos meses uma “redução do nível de transparência e abertura em relação ao registro de coisas básicas”, além de uma repressão às empresas que oferecem “informações básicas para o mundo sobre suas intenções em relação à economia chinesa”.
O apelo de Sullivan a Pequim ocorre no momento em que Gina Raimondo, secretária do Comércio dos EUA, se prepara para viajar a Pequim no fim do mês para reuniões com autoridades chinesas de alto escalão, no mais recente esforço de Washington para estabilizar as relações com seu rival econômico.
O presidente Joe Biden assinou neste mês uma ordem executiva proibindo alguns investimentos externos dos EUA em setores de tecnologia da China. Além disso, o governo americano vem se esforçando para romper a dependência das cadeias de suprimentos chinesas, o que é um ponto central para a reindustrialização e estratégia econômica de Washington.
Pequim reagiu com uma tentativa de elevar os Brics, o bloco dos mercados emergentes, a um rival em grande escala do G7. A China também vem promovendo laços geopolíticos com países ao redor do mundo com a Nova Rota da Seda, voltada para o financiamento de projetos de infraestrutura e investimentos.
Sullivan anunciou formalmente na terça-feira que Biden viajará para a Índia no mês que vem para a reunião de cúpula do G20 em Nova Déli. O presidente vai concentrar “sua energia” em fazer com que os EUA e países com “ideias semelhantes” proporcionem mais apoio econômico para o resto do mundo, especialmente no “sul global” – e principalmente por meio do FMI e do Banco Mundial, segundo disse Sullivan.
“Ouvimos em alto e bom som que os países querem que intensifiquemos nosso apoio, diante dos múltiplos desafios que enfrentam”, disse Sullivan. “Então, enquanto continuamos dando apoio fundamental à Ucrânia, vamos nos voltar também para o resto do mundo”.
“Dada a escala da necessidade e, francamente, a escala dos empréstimos coercitivos e insustentáveis [da China] por meio da Nova Rota da Seda, precisamos garantir que haja soluções de alavancagem de alto padrão para os desafios que os países estão enfrentando”, acrescentou ele. Sullivan disse também que Biden solicitou financiamentos adicionais para instituições financeiras internacionais em seu último pedido de orçamento suplementar ao Congresso dos EUA.
Os compromissos dos EUA gerariam US$ 50 bilhões em empréstimos a países de renda média por meio do FMI e do Banco Mundial, segundo Sullivan. Mas esse número subiria para US$ 200 bilhões se outros aliados e parceiros também participassem.
Mas Sullivan disse que não vê essas medidas como um esforço para conter o impulso crescente dos países dos Brics – que inclui Brasil, Índia, Rússia, África do Sul e China – para estabelecer seu próprio modelo econômico para o mundo, e negou que Washington veja o bloco como um “rival geopolítico”.
“Este é um grupo de países muito diversificado em sua versão atual… com diferenças de pontos de vista sobre questões críticas no Indo-Pacífico, Ucrânia e uma série de outras coisas”, disse ele.
Fonte: Valor Econômico