Era questão de tempo.
O número de galpões logísticos cresceu tanto no País que já está faltando gente para trabalhar nessas operações, em especial nos maiores polos, como Cajamar e Guarulhos.
De longe o maior ocupante de galpões do Brasil, o Mercado Livre tem planos para seguir expandindo e já analisa a disponibilidade de funcionários antes de escolher onde instalar novos empreendimentos.
A falta de mão de obra nos centros já consolidados foi um dos fatores que pesaram para o MELI escolher Campinas, uma cidade menos óbvia, como destino de um novo built-to-suit que será o maior contrato de locação da história do mercado de galpões do País, além da maior oferta de terrenos.
“Hoje falta mão de obra de forma drástica,” disse Leandro Bassoi, o VP de fulfillment do MELI para a América Latina, em um evento da Buildings.
Cajamar, por exemplo, virou uma espécie de sinal vermelho para a companhia, que, caso decida abrir um novo centro de distribuição na cidade, terá de pensar em uma operação que dependa de menos funcionários.
A concorrência por trabalhadores está “fora do comum”, segundo ele.
Quando a logística começou a ganhar força em Cajamar, as cidades da região tiveram um papel importante na formação de trabalhadores, o que ajudou a sustentar a expansão dos centros de distribuição que hoje disputam essa mesma mão de obra.
Mas agora, além de concorrer por funcionários com os vizinhos, as empresas precisam lidar com a dificuldade de deslocamento deles até os centros de distribuição, muitas vezes instalados em áreas afastadas dos bairros residenciais.
A corrida por novos trabalhadores tem levado o Mercado Livre a criar agências de emprego para ampliar o recrutamento, oferecer bônus para quem passa três meses sem faltar ao trabalho e recompensas a funcionários que indicam novos colegas, apurou o Metro Quadrado.
Com o crescimento do ecommerce e a corrida por entregas mais rápidas, Bassoi acredita que as empresas precisarão combinar grandes centros de distribuição com galpões menores e microcentros dentro das cidades.
A automação pode ajudar a reduzir a quantidade de pessoas necessárias nessas operações, mas está longe de resolver a escassez.
“Por mais que a empresa consiga ter um ambiente muito automatizado, com um País e empresas que vão fazer esse movimento por muitos anos, não dá para eliminar tanto a necessidade de mão de obra desse jeito,” disse ele. “E estamos alguns passos atrás em relação a isso.”
Quem constrói lê.
Fonte: Metro Quadrado
