A indústria de fundos de investimento acumulou captação líquida de R$ 251,7 bilhões de janeiro a setembro, o segundo melhor resultado para o período nos últimos cinco anos, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume é R$ 95,3 bilhões superior aos R$ 156,4 bilhões registrados nos nove primeiros meses de 2025 e fica atrás apenas de 2024, quando a entrada líquida chegou a R$ 305,1 bilhões.
A renda fixa concentrou mais da metade dos recursos, com captação líquida de R$ 136,1 bilhões no ano. Dentro da classe, R$ 68,8 bilhões foram direcionados aos fundos de duração baixa e crédito livre. A entrada de recursos na renda fixa ficou praticamente estável em relação aos R$ 137,6 bilhões do mesmo período de 2025, mas continuou acima das demais classes.
O crédito privado tem ocupado espaço crescente nesse mercado. Considerando os fundos de renda fixa com exposição a esses ativos, a captação líquida chegou a R$ 45,2 bilhões entre janeiro e agosto, perto dos R$ 46,7 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Houve, porém, uma mudança importante na distribuição desses recursos entre os fundos com diferentes níveis de exposição a crédito. Os dados até setembro não foram divulgados.
Os fundos com 30% a 50% da carteira em crédito privado receberam R$ 50,2 bilhões líquidos neste ano, ante R$ 27 bilhões no mesmo período de 2025. Na outra ponta, aqueles com mais de 70% de concentração tiveram resgates líquidos de R$ 27,8 bilhões, depois de terem captado R$ 16,2 bilhões no ano passado. Nos produtos com 50% a 70% de crédito, a captação de R$ 46,4 bilhões em 2025 deu lugar a resgates de R$ 800 milhões.
A expansão do crédito também aparece no número de gestoras especializadas no segmento. A quantidade de casas com esse foco passou de 84 em 2022 para 177 em agosto deste ano, alta de 111% em quatro anos e o maior crescimento entre as diferentes áreas de atuação acompanhadas pela Anbima. Só em relação a 2025, quando havia 157 gestoras de crédito, o avanço foi de 13%.
Segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima, o forte crescimento ocorreu como reflexo do ambiente favorável à renda fixa dos últimos anos e com o avanço do mercado de capitais no financiamento às empresas. Para ele, ainda vai haver avanço, mas a tendência é que a velocidade diminua um pouco agora.
Na renda fixa, os fundos de duração alta e investimento em títulos públicos tiveram o melhor desempenho no ano, com rentabilidade de 10,5%, equivalente ao CDI no período. Os fundos de duração livre e grau de investimento renderam 10,1%, enquanto os de duração baixa e títulos públicos tiveram retorno de 9,7%. Já os fundos de prazo livre e crédito livre renderam 8,3%. Na média, a classe de renda fixa acumulou retorno de 8,7%.
A expansão dos produtos de crédito também vem chegando ao varejo. O patrimônio dos fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) detido por investidores desse segmento atingiu R$ 5,1 bilhões em agosto, após nove meses consecutivos de crescimento. Em dezembro de 2025, eram R$ 2,7 bilhões. O patrimônio total dos FIDCs chegou a R$ 819 bilhões em setembro, frente a R$ 729,1 bilhões em janeiro.
Julya Wellisch, também diretora da Anbima, afirmou que a entidade tem trabalhado no aprimoramento das regras dos FIDCs, para assegurar um crescimento sustentável do segmento.
No conjunto da indústria, o patrimônio líquido dos fundos alcançou R$ 11,5 trilhões em setembro, alta de 9,8% em 12 meses. O número de fundos cresceu 5,3%, para 33.971, e o de contas avançou 8,7%, para 46,7 milhões.
Fonte: Valor Econômico
