No rali desta semana, 18 ações subiram mais de 20% em três pregões. Dessas, 17 estão no índice de small caps – a exceção é a Localiza, que valorizou 20,5% no período – e apenas sete fazem parte do Ibovespa (e com pesos reduzidos).
Depois de subir 7,7% na segunda-feira, o Ibovespa caiu 1,3% nos dois pregões seguintes – e opera em alta de 0,6% por volta das 11h, num dia complicado no exterior, com petróleo subindo e bolsas em queda.
Já o índice de small caps subiu 12% entre segunda e quarta – e avança mais 1% hoje.
“Muitos olham o Ibovespa e acreditam que o movimento de segunda parou nos dias seguintes, mas não foi o que se viu no restante do mercado,” Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, disse ao Brazil Journal.
Geralmente, os ralis começam com as large caps subindo primeiro, e as ações de empresas menores – menos líquidas e usualmente mais voláteis – valorizam depois.
Mas, dessa vez, o que move o mercado é a possibilidade de uma queda maior da Selic do que a precificada até antes do primeiro turno. Taxas menores beneficiam mais as empresas voltadas para a economia doméstica e sensíveis a juros – e boa parte delas são small caps.
A concretização desse cenário depende de um ajuste fiscal crível, mas muitos gestores estão antecipando o trade e comprando papéis que estavam largados há anos.
No acumulado dos três últimos pregões, as ações que mais subiram foram Quero-Quero, com alta de 47%, Movida (33%), Ecorodovias (31%), Pague Menos (31%), Simpar (28%), Vamos (27%) e Grupo SBF (26%), segundo um levantamento da consultoria Elos Ayta.
O fluxo para as small caps começa a vir de todo lado, resumiu um gestor, mas principalmente de fundos locais que estão investindo o caixa, fazendo a rotação de large caps para empresas menores e recebendo algum recurso de fora (algo ainda tímido).
“Esse movimento tem um teto porque depende de quanto o gestor consegue mexer na carteira. O ingresso de recursos nos fundos de ações ainda deve demorar,” disse Ferreira.
Segundo ele, os investidores estrangeiros também compraram cestas de ações de empresas voltadas para a economia doméstica nos últimos dias – mas de forma limitada em razão da baixa liquidez desses papéis.
Os estrangeiros entraram em peso na B3 na segunda-feira – quando o fluxo externo chegou a R$ 10 bilhões, recorde histórico para um dia –, comprando principalmente as ações mais negociadas via índices, o que levou o Ibovespa a subir 7,7%.
Na terça – último dia com dados disponíveis –, esse fluxo caiu para R$ 1 bilhão.
“O gringo falava que não faria nada até o resultado da eleição, mas fez tudo o que queria no primeiro dia logo depois do primeiro turno. Comprou meio sem critério, e outros aproveitaram para vender o que já estava meio caro,” disse outro gestor.
Na segunda-feira, papéis que já estavam nas máximas históricas valorizaram mais que o índice, caso do BTG Pactual (+23%), B3 (+ 22%) e Itaú (+10%). De lá para cá, devolveram parte dos ganhos.
Entre as ações que caíram nesta semana, estão as de empresas de commodities e exportadoras que sofrem com um câmbio mais valorizado – como a Embraer (-9%), a Suzano (-5%) e a Vale (-5%).
Fonte: Brazil Journal
