Um número crescente de sul-coreanos viaja ao Japão para comprar Mounjaro — um medicamento para diabetes — por cerca de um terço do preço que pagariam em seu país de origem. Há o risco, porém, de perder o produto na alfândega sul-coreana na volta.
O Mounjaro, da Eli Lilly, é um medicamento de prescrição usado para tratar diabetes tipo 2, mas também é amplamente utilizado para perda de peso — sendo essa a principal razão pela qual os sul-coreanos buscam as injeções.
As redes sociais estão repletas de informações sobre onde comprar o medicamento a preços baixos no Japão; alguns o chamam de “Sushijaro”, um trocadilho com a palavra sushi.
“Sai muito mais barato comprar no Japão, mesmo considerando o custo da passagem de ida e volta e do hotel”, diz uma publicação.
A diferença de preço entre os países é o principal fator que impulsiona essas viagens. O suprimento para um mês da dosagem mínima de 2,5 miligramas custa cerca de 10 mil ienes (US$ 60) no Japão, em comparação com 280 mil a 350 mil wons (US$ 210 a US$ 260) na Coreia do Sul.
Em agosto, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão reduziu em 25% o preço do Mounjaro tabelado pelo governo, visando controlar os custos de saúde. Os preços de venda ao consumidor caíram ainda mais depois disso.
Desde então, mais turistas sul-coreanos têm obtido prescrições em instituições médicas no Japão para levar o medicamento consigo.
No entanto, voltar com o Mounjaro para a Coreia do Sul sem a aprovação do Ministério de Segurança de Alimentos e Medicamentos do país é ilegal, mesmo com uma prescrição obtida no exterior. A alfândega do país está intensificando as inspeções e outras medidas de controle de fronteira.
O Serviço de Alfândega da Coreia relata um grande aumento nos casos envolvendo medicamentos como Mounjaro e Wegovy — outro remédio para perda de peso — desde o início deste ano. Até agosto, foram registrados 5.030 casos referentes a 2026, em comparação com apenas quatro casos em 2024.
O uso do Mounjaro para perda de peso não é coberto pelo sistema público de saúde da Coreia do Sul, cabendo aos pacientes arcar com o custo total. Como os preços desses tratamentos pagos do próprio bolso são definidos a critério das instituições médicas, eles tendem a ser mais elevados, refletindo a alta demanda por produtos voltados à estética e ao emagrecimento.
As prescrições de Mounjaro na Coreia do Sul ultrapassaram 1,5 milhão nos dez meses encerrados em maio de 2026, segundo dados do Serviço de Revisão e Avaliação de Seguro de Saúde obtidos por Han Ji-ah, parlamentar do partido de oposição “Poder do Povo” (People Power Party). Ela afirmou que pessoas na faixa dos 20 e 30 anos representam mais da metade desse total, ao passo que as prescrições para adolescentes têm aumentado recentemente.
O Mounjaro e medicamentos similares vêm sendo cada vez mais utilizados por mulheres jovens e saudáveis que não seriam consideradas clinicamente acima do peso — embora o fármaco seja destinado a pacientes com diabetes ou com sobrepeso clínico e Índice de Massa Corporal (IMC) de pelo menos 27.
Uma pesquisa realizada no ano passado pela Agência de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul revelou que 68,5% dos adultos tentam perder peso ou manter o peso atual. Entre as mulheres de 19 a 29 anos, 16,2% daquelas com IMC inferior a 18,5 — considerado abaixo do peso — estão fazendo dieta; o mesmo ocorre com mais da metade das mulheres que apresentam IMC dentro da faixa considerada normal, segundo a agência.
Os jovens, influenciados pelas redes sociais e por celebridades magras, tendem a experimentar dietas extremas que prometem resultados drásticos. Relatos que apontam o Mounjaro como uma forma fácil de emagrecer impulsionaram o uso mais amplo do medicamento para essa finalidade, apesar dos riscos de efeitos colaterais, como hipoglicemia ou pancreatite.
Fonte: Valor Econômico