Por Marsílea Gombata e Estevão Taiar — De São Paulo e Brasília
31/08/2023 05h01 Atualizado há 4 horas
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O mercado de trabalho brasileiro registrou abertura líquida de 142.702 vagas com carteira assinada em julho, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O resultado ficou acima da estimativa mediana de consultorias e instituições financeiras, de abertura líquida de 139 mil vagas, segundo o Valor Data.
No acumulado do ano até julho, por sua vez, foi registado saldo de 1,17 milhão de vagas. No mesmo período de 2022, a criação líquida foi de 1, 61 milhão de postos de trabalho.
Os cinco setores da economia tiveram abertura líquida de postos formais, com destaque outra vez para atividades de serviço, segundo Rodolfo Margato, economista da XP.
Em serviços foram 56.303 novas vagas, em agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, 12.978. Na indústria foram abertas 21.254 vagas. Na construção civil, 25.423, e nos setores de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, 26.744.
Além das vagas com carteira assinada, em julho, o Brasil gerou liquidamente 12.065 novos postos de trabalho intermitente, de aprendizes, temporários, contratados por Cadastro de Atividades Econômicas da Pessoa Física ou com carga de até 30 horas. No acumulado do ano, houve abertura líquida de 249.110 postos não típicos de trabalho.
“Os números de julho refletem uma economia com crescimento modesto, avalia Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). “Na maior parte dos meses estamos vendo um número positivo de geração de vagas, que vai na direção de um crescimento econômico positivo, ainda que modesto. Vemos o mercado de trabalho indo na direção do que a economia está mostrando.”
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a expectativa é que em agosto e setembro a criação líquida de empregos cresça em relação a julho, por concausata de fatores sazonais como festas de fim de ano.
Marinho projeta crescimento líquido de 2 milhões de vagas formais para 2023. Isso porque crédito e juros ainda altos atrapalham o encadeamento da economia brasileira, argumentou.
Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, contudo, prevê que o mercado de trabalho formal encerre o ano com saldo de 1,4 milhão de novas vagas com carteira assinada. Deve-se a isso o cenário de juros em patamar restritivo afetando não apenas a economia, mas também o mercado laboral.
“As perspectivas de crescimento da economia para o segundo semestre são de retração ou estabilidade. Isso também afetará o mercado de trabalho, que terá menor nível de postos”, diz. “Os efeitos dos juros sobre o mercado de trabalho não são lineares nem imediatos. Portanto, a redução de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) não afetará de maneira rápida ou direta o mercado de trabalho.”
No curto prazo, a expectativa é que o saldo do Novo Caged mantenha o ritmo moderado de geração de vagas, afirma Lucas Assis, da Tendências Consultoria.
“Até o próximo ano, é esperada perda de ímpeto nas contratações formais pelos empregadores no país, frente à desaceleração da atividade econômica”, diz. “Mas, apesar da expectativa de uma contribuição negativa das atividades menos cíclicas como a agricultura, a maior resiliência dos serviços contribui para um resultado mais favorável da atividade.”
Para o fim de 2023, a Tendências projeta 1,5 milhão de novas vagas, com viés de alta.
“As estimativas para o saldo do Novo Caged exibem viés positivo, dado o contexto de relativa melhora do ambiente macroeconômico, considerando a menor inflação e o grau de melhora das condições financeiras domésticas, quando comparadas ao cenário anterior, no qual havia uma Selic mais alta e maior nível de incertezas.”
Fonte: Valor Econômico