A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos este ano poderia colocar em risco as metas ambientais mundiais, diz Patricia Espinosa, que foi a principal autoridade da ONU sobre o clima de 2016 a 2022, em entrevista ao “The Guardian”.
Segundo Espinosa, as chances de limitar o aquecimento global à meta de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais já são reduzidas, e a antipatia de Trump em relação à ação climática teria um grande impacto nos EUA, que é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa e o maior exportador de petróleo e gás do mundo.
“Estou preocupada com a potencial eleição de Trump porque isso teria consequências muito graves, se víssemos uma regressão em relação às políticas climáticas nos EUA,” afirmou a ex-chefe do clima da ONU.
Embora os planos de política de Trump não estejam claros, conversas com seu círculo criaram uma imagem preocupante que poderia incluir o cancelamento da legislação climática do atual presidente Joe Biden, a retirada do Acordo de Paris e um impulso para mais extração de petróleo e gás.
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— Foto: Robert F. Bukaty/AP
“Ainda não estamos alinhados com 1,5°C. Essa é a realidade. Então, se tivermos uma situação em que veríamos uma regressão nesses esforços, a probabilidade de permanecer dentro de 1,5°C é muito limitada. Certamente seria um risco muito maior”, disse Espinosa.
No entanto, nem tudo é negativo. Se Trump retirasse os EUA do Acordo de Paris em um novo mandato, ela não acredita que outros seguiriam o exemplo. “Até agora, não vejo países realmente recuando. Acredito que o processo continuará.”
Sobre a questão controversa do financiamento climático, especialmente nos EUA, Espinosa disse que Biden está enfrentando dificuldades para obter compromissos de financiamento climático através da parte republicana do Congresso.
“Estamos vendo uma falta de liderança, incluindo nos grandes países que podem fazer contribuições. Nos EUA, acho que há uma vontade, mas também há limitações. Na União Europeia, houve um longo período em que estiveram discutindo os quadros internos para o financiamento climático. Ao mesmo tempo, temos visto uma redução dos fundos destinados em geral ao sul global, e muito pouco está sendo destinado às mudanças climáticas. É realmente uma questão de dar prioridade”, afirmou ao “The Guardian”.
Fonte: Valor Econômico
