Os riscos de um choque de políticas inflacionárias após as eleições presidenciais americanas limitam a probabilidade de um corte de juros pelo Federal Reserve(Fed) em setembro, segundo o investidor e economista Mohamed El-Erian.
“Há dois fatores que complicam um corte em setembro para o Fed”, disse El-Erian, presidente do Queens’ College de Cambridge e ex-CEO da Pimco, em entrevista à TV Bloomberg nesta sexta-feira (12). “Um deles é que eles podem obter algum dado ruim. A segunda questão é a política. Quão preocupados estão com a possibilidade de um choque inflacionário após as eleições por causa de políticas?”
Na opinião do colunista da Bloomberg Opinion, os EUA não estão preparados para um “momento Liz Truss” – quando os planos orçamentais da então primeira-ministra britânica derrubaram os mercados no Reino Unido há dois anos. Mas o “maior medo” do Fed, disse ele, é ter que inverter a direção de um esperado ciclo de cortes de juros e elevar novamente a taxa básica se a inflação voltar a acelerar.
No cenário improvável de o Fed subir os juros no ano que vem, acrescentou El-Erian, será devido a um grande choque externo ou “porque as políticas em outras áreas – fiscal, comércio exterior – mudaram fundamentalmente”.
Os últimos dados brandos de inflação reforçaram as apostas de que o Fed começará o afrouxamento monetário em setembro, com a trajetória da inflação convergindo para a meta de 2% do banco central.
“O Fed manterá isso em aberto”, disse El-Erian. “Eles continuarão dizendo que 2% é a nossa meta, chegaremos lá quando chegarmos.”
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Fonte: Valor Econômico


