Farmacêutica americana ficou em sexto lugar no ranking do varejo farmacêutico brasileiro em 2025, mostra levantamento; Novo Nordisk apareceu em quinto
As vendas da Eli Lilly cresceram mais de sete vezes no varejo farmacêutico brasileiro em 2025, ano em que a farmacêutica lançou no país a sua caneta emagrecedora Mounjaro. Com isso, ela ultrapassou a Sanofi e passou a ocupar a sexta posição no ranking de faturamento do varejo farmacêutico brasileiro, que reúne os 20 maiores desempenhos entre as empresas que operam no mercado. A alta reflete a expansão do segmento de controle de peso, associado à saúde, estética e bem-estar.
Segundo levantamento do grupo FarmaBrasil, feito com base em dados da IQVIA e compartilhado com o Valor, o faturamento do varejo farmacêutico brasileiro em 2025, ao todo, foi de cerca de R$ 128,6 bilhões, alta de 12% na comparação com 2024.
O aumento do faturamento da Eli Lilly, de 611%, foi o maior entre as farmacêuticas analisadas no ano passado. Em 2024, ela não aparecia no ranking.
A IQVIA não autoriza a divulgação de dados de faturamento por empresa e da participação percentual de cada uma delas no faturamento total do varejo farmacêutico, apenas da variação anual, segundo o grupo FarmaBrasil.
Estoque versus demanda
De acordo com relatório do Citi, o tamanho do mercado da tirzepatida, princípio ativo da Mounjaro, hoje é definido no Brasil principalmente pela disponibilidade de estoque, e não necessariamente pela demanda.
O banco usa as importações dos Estados Unidos como indicador do fluxo de entrada das canetas da Eli Lilly no país. Em janeiro deste ano, observou desaceleração nas importações vindas daquele país pelo segundo mês consecutivo, enquanto as importações da Dinamarca, sede da Novo Nordisk, fabricante das canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy, se aceleraram.
O Citi projeta que as vendas de Mounjaro, ainda assim, ajudarão a sustentar o crescimento robusto do mercado de GLP-1 no Brasil. “No nosso cenário-base, o mercado total pode alcançar até R$ 36 bilhões em vendas até 2030, impulsionado não apenas pela recuperação das vendas de Mounjaro, hoje condicionadas à oferta, mas também pela esperada democratização do acesso à semaglutida após a entrada de genéricos em março de 2026”, afirmaram analistas do banco em relatório.
A semaglutida é o princípio ativo das canetas emagrecedoras da Novo Nordisk, cuja patente está prevista para expirar em março.
O desempenho das vendas da Eli Lilly no Brasil em 2025 reflete, em parte, o momento global da farmacêutica. No ano passado, ela atingiu US$ 1 trilhão em valor de mercado global, primeira do setor a alcançar o patamar. No período, a empresa registrou lucro de US$ 20,7 bilhões, alta de 95% sobre 2024, enquanto a receita avançou 45%, para US$ 65,1 bilhões.
Na classificação geral por faturamento no varejo farmacêutico em 2025, o primeiro lugar foi ocupado pela NC Farma Corp, que teve alta de 5% em relação a 2024. Em segundo lugar aparece a Eurofarma, com crescimento de 14%. A Hypera (com alta de 7%) ocupa a terceira posição, seguida pelo Aché (11%) e pela Novo Nordisk (11%).
Confira o ranking completo
- NC Farma Corp (alta de 5%)
- Eurofarma (14%)
- Hypera (7%)
- Ache (11%)
- Novo Nordisk (11%)
- Lilly (611%)
- Sanofi (5%)
- Astrazeneca (24%)
- Libbs (9%)
- FQM (4%)
- Cimed (9%)
- Biolab (7%)
- União Química (10%)
- Apsen (18%)
- Opella (sem variação)
- Novartis (2%)
- GSK (queda de 4%)
- Merck (11%)
- Teuto (10%)
- Kenvue (17%)
O grupo disse que o critério do cálculo é o do preço de compra pelas farmácias, ou seja, o valor que as farmácias pagam para adquirir medicamentos de distribuidores ou fabricantes.
Fonte: Valor Econômico