Os Estados Unidos e o Irã deram sinais nesta quinta-feira (21) de que poderiam estar se aproximando de um acordo para encerrar a guerra, mas divergências centrais sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz e o destino do estoque de urânio altamente enriquecido iraniano continuam dificultando as negociações.
Pela manhã, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que há sinais positivos para um possível acordo com Teerã, em meio à aparente reativação das conversas entre os dois países.
“Há alguns sinais positivos”, disse Rubio. “Não quero ser excessivamente otimista… Então vamos ver o que acontece nos próximos dias.”
Uma fonte graduada iraniana disse à Reuters que nenhum acordo foi alcançado, mas que as diferenças foram reduzidas, ressaltando que o estoque de urânio e o controle de Teerã sobre Ormuz continuam entre os principais pontos de impasse.
Ao longo do dia, o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu o discurso sobre o programa nuclear iraniano. Em declarações na Casa Branca, afirmou que Washington não permitirá que Teerã mantenha seu estoque de urânio altamente enriquecido, que os EUA acreditam poder ser destinado à produção de armas nucleares.
“Vamos conseguir. Não precisamos disso, não queremos. Provavelmente vamos destruí-lo depois de obtê-lo, mas não vamos deixá-los ficar com isso”, disse Trump.
O republicano também criticou as intenções de Teerã de cobrar taxas pelo uso do estreito, por onde passava um quinto do petróleo e gás natural do mundo antes da guerra.
“Queremos que esteja aberto, queremos que seja livre. Não queremos pedágios”, disse ele. “É uma via internacional.”
Do outro lado, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã reafirmou nesta quinta-feira as alegações de soberania de Teerã sobre o estreito, dizendo que agressões dos EUA, Israel e alguns países da região alteraram fundamentalmente a segurança na área.
Em um comentário jurídico, Kazem Gharibabadi disse que o Irã pode adotar “medidas práticas e proporcionais” para proteger sua segurança e a navegação marítima, citando o direito internacional.
Além disso, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu uma diretriz determinando que o urânio iraniano enriquecido próximo ao nível necessário para armas nucleares não seja enviado ao exterior, endurecendo a posição de Teerã sobre uma das principais exigências dos EUA nas negociações de paz.
Reafirmando sua posição, Trump deixou claro nesta quinta-feira que as negociações para um acordo de paz com o Irã seguem em andamento, mas Washington não permitirá que Teerã obtenha uma arma nuclear, renovando suas ameaças de ações militares.
“Vamos garantir que eles não tenham uma arma nuclear ou vamos ter que fazer algo muito drástico”, disse Trump.
A Guarda Revolucionária do Irã alertou que novos ataques provocariam retaliação além de sua região.
Enquanto as negociações seguem sem definição, o mercado de petróleo permaneceu volátil. Após subir durante parte do dia, os preços perderam força e fecharam em queda, refletindo a expectativa de uma possível solução diplomática. O petróleo Brent, referência global, recuou 2,32%, encerrando o dia cotado a US$ 102,58 por barril (mais informações na pág. C2).
Ainda assim, o risco de desabastecimento continua no radar. A Agência Internacional de Energia alertou que o pico da demanda de combustível no verão, somado à falta de nova oferta do Oriente Médio, pode levar o mercado à “zona vermelha” em julho e agosto.
O fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz também segue bastante reduzido. Embora algumas embarcações ainda consigam atravessar a região, o volume está muito abaixo das 125 a 140 passagens diárias registradas antes do início da guerra. Segundo a agência estatal iraniana Irna, 31 navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas sob coordenação da Marinha iraniana.
Teerã afirmou ainda que pretende reabrir a passagem a países considerados “amigáveis”, desde que cumpram as condições impostas pelo Irã — o que pode incluir o pagamento de taxas. Para Rubio, porém, essa possibilidade ameaça inviabilizar as negociações.
“Isso tornaria um acordo diplomático inviável se eles continuarem a seguir por esse caminho. É uma ameaça ao mundo se fizerem isso, e é completamente ilegal”, disse Rubio.
Fonte: Valor Econômico
