A Eli Lilly informou nesta quinta-feira (21) que seu medicamento experimental retatrutida ajudou pacientes diagnosticados com obesidade a perder mais de 28% do peso ao longo de um ano e meio em um estudo crucial, abrindo caminho para que a empresa busque aprovação regulatória e lance o medicamento no próximo ano.
O estudo em estágio avançado, que acompanhou a perda de peso em pacientes diagnosticados com obesidade, mas não diabetes, marca mais uma etapa da tentativa da Lilly de dominar o crescente mercado de medicamentos para obesidade, como seu injetável Zepbound e o Wegovy, da Novo Nordisk.
Este é o medicamento para perda de peso mais potente da Lilly até agora e foi desenvolvido para atender pessoas que precisam perder mais peso. O Zepbound da empresa e o Wegovy da Novo mostraram perda de peso de cerca de 15% a 20% em estudos, enquanto sua pílula oral mostrou perda de cerca de 11%.
A retatrutida é o primeiro medicamento para obesidade da Lilly que ativa três receptores hormonais — GLP-1 para suprimir o apetite, GIP para aumentar a secreção de insulina e glucagon para auxiliar na queima de gordura — o que lhe rendeu o apelido de “triplo G”.
Em estudos anteriores, o medicamento demonstrou potencial para ampliar significativamente a perda de peso em relação aos demais remédios da Lilly e de sua rival dinamarquesa.
Neste estudo em estágio avançado com adultos obesos ou acima do peso e com pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, a empresa constatou que pacientes que receberam a dose mais alta, de 12 miligramas, perderam em média 28,3% do peso ao longo de 80 semanas. Mais de 45% dos participantes perderam 30% ou mais.
“Esse é realmente um patamar historicamente associado à cirurgia bariátrica”, disse Kenneth Custer, presidente da área de saúde cardiometabólica da Eli Lilly, em entrevista. “Ter isso disponível em um medicamento é algo bastante significativo.”
Custer afirmou que a empresa espera lançar o medicamento no próximo ano.
Os investidores estão bastante atentos à segurança e aos possíveis efeitos colaterais de medicamentos para perda de peso em desenvolvimento.
No estudo em estágio avançado, episódios de disestesia — uma sensação anormal na pele — ocorreram em 12,5% dos pacientes tratados com a dose de 12 mg, em comparação com 20,9% dos pacientes na dose mais alta no estudo divulgado em dezembro.
Cerca de 11% dos pacientes na dose mais alta interromperam o tratamento devido a eventos adversos.
Os resultados parecem estar em linha com as expectativas. Analistas do RBC Capital Markets disseram em nota na terça-feira que esperavam perda de peso entre 28% e 30% no estudo.
Pacientes com índice de massa corporal elegível prolongaram o uso do medicamento por dois anos completos e perderam em média pouco mais de 30% do peso, informou a empresa.
Participantes que receberam uma dose menor, de 4 miligramas, perderam 19% do peso ao longo de 80 semanas, informou a Lilly.
Em um estudo anterior publicado em dezembro, a retatrutida ajudou pacientes com obesidade e osteoartrite no joelho a perder em média 28,7% do peso ao longo de 40 semanas e a reduzir dores no joelho.
Em março, a Lilly informou que outro estudo mostrou que o medicamento ajudou a reduzir os níveis de açúcar no sangue e proporcionou perda média de 15,3% do peso corporal.
Anteriormente, analistas do J.P. Morgan afirmaram que a incidência de efeitos colaterais com a retatrutida era maior do que a observada com o Mounjaro, outro medicamento para diabetes da Lilly, o que compensava parcialmente sua eficácia.
Questionado sobre os efeitos colaterais, Custer afirmou que o medicamento está em linha com outros medicamentos da classe GLP-1.
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Fonte: Valor Econômico